Dead of Summer (2016): clima de terror no acampamento de verão

Esse texto contém pequenos spoilers sobre “Dead of Summer“, mas leia mesmo assim.

“Você pode ser quem quiser no acampamento, certo? Ou fingir ser.”

Prevista para ser uma antologia, e com a promessa – ou expectativas criadas – de homenagear os camp slahers da década de 80 – como “Acampamento Sinistro” e “Sexta-Feira 13” -, “Dead of Summer” segurou muito bem a sua verdadeira trama até o dia da estreia, provando ser diferente do esperado, abraçando todas as possibilidades para criar uma boa série de terror. Apesar de tamanho esforços, peca por perder tempo demais tentando parecer o que não é, deixando de empolgar com a sua abordagem.

dead of summer

Verão de 1989; esse é mais um ano em que os candidatos a monitores do Acampamento Stillwater se reencontram, ou para aproveitarem novas oportunidades, como é o caso da recém-chegada Amy Hudges (Elizabeth Lail, a princesa Anna de “Once Upon a Time”). Dentre reviver antigos romances e se apaixonar, enquanto também lidam com as diferenças, não contavam que há dezoito anos o mesmo acampamento foi cenário de um possível ritual com um final trágico, e que de uma forma misteriosa parece que está se repetindo, transformando os oito monitores em alvos.

Até atingir o seu ápice, a série adota uma abordagem lenta que pouco a destaca. E o que quebra o seu ritmo anticlimático é a sua narrativa dividia em dois tempos, enquanto alterna entre o passado dos seus personagens e o tempo presente no acampamento. Se não conseguiu cativar com o seu terror – que mais parecia terrir -, ganhou força ao nos levar a conhecer mais dos personagens. O ponto alto é que as suas experiências são significativas e refletem na estadia no acampamento, e não se trata sobre serem apenas candidatos. Nisso, vemos como querem lidar com a culpa, aceitação, superação, suas transformações, autoconfiança e tudo para saberem que podem ser o que quiserem no acampamento e fugirem da convivência conturbada que têm.

Felizmente, tempo suficiente tiveram para desenvolver e mostrar o passado dos personagens; por outro lado, não tiveram o cuidado para trabalhar com todos – estou falando de você, Blair (Mark Indelicato, de “Ugly Betty”). Seria injusto apontar que o personagem não teve desenvolvimento, mas na verdade, faltou aprofundar, e o máximo que tivemos foi a sua participação no passado de outra personagem, Cricket (Amber Coney), depois, em uma breve cena com menos de dois minutos.

Partindo disso, no que deveria ser o seu ponto alto – o terror -, “Dead of Summer” demorou a engrenar e mostrar a que veio para ser levada a sério. Se outrora não estava fazendo nada mesmo ao seu favor, surpreende por realmente arriscar para não tornar o show de fato esquecível já que acabou durando apenas uma temporada.

Entre altos e baixos, foi subvertendo um pouco a sua narrativa e personagens que “Dead of Summer” encontrou o seu caminho. Prometeu terror – não dos melhores – e entregou pouco, mas com competência, e acabou se resultando melhor que muita coisa por aí. Por fim, sem abandonar a força que pretendia com os personagens, “Dead of Summer” conseguiu se despedir de maneira satisfatória de sua trajetória, com seus amores resolvidos à ponta de faca.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.