Resenha | D.U.F.F – Você Conhece, Tem ou É (2015): sobre nós, os desajeitados

“Se você não tem um, você é um” – The D.U.F.F.

Título: D.U.F.F. – Você Conhece, Tem ou É (The D.U.F.F.)

Diretor: Ari Sandel

Ano: 2015

Pipocas: 7,5/10

“D.U.F.F. – Você Conhece, Tem ou É”… O subtítulo faz questão de apontar e ao mesmo tempo questionar que diabos seria o significado dessa abreviação. Assistindo ao filme pude perceber que já fui, sou e continuarei sendo um D.U.F.F. – e não é muito difícil que você que está lendo esse também tenha sido em algum momento de sua vida. Designated Ugly Fat Friend (no filme, a amiga designada gorda e feia), traduzindo ao pé da letra é ofensivo, mas não necessariamente precisa ser assim. Talvez você tenha sido ou é a pessoa engraçada e inteligente do seu grupo de amigos(as) mas ainda assim se sente – ou sentia – deslocado(a) ou “inferior” fisicamente e socialmente, e enquanto os demais faziam tantas coisas e pareciam legais ao seu lado, você era apenas “acessível”.

Assim, era Bianca Piper (Mae Withman) a que não se vestia bem, menos atraente e menos bonita ao lado de Casey Cordero (Bianca Santos) e Jess Herris (Skyler Samules, de “Scream Queens”), andando sempre juntas nos corredores do colégio. Bianca era sempre a excluída, a não ser que servisse de ponte para que os interessados nas suas amigas se achegassem. Até então, Bianca não percebia isso. Só quando o seu vizinho e ex-amigo Wesley Rush (Robbie Amell) colocou as cartas na mesa para ela, colocando-a numa bolha de raiva, depressão e negação ao saber que era rotulada.

No primeiro momento, “D.U.F.F.” não deixa de lembrar a temática de um típico filme adolescente ao começar a introduzir os seus personagens estereotipados (a mocinha, o seu interesse amoroso, a aluna popular e o seu namorado atleta), mas aos poucos, ao começar a tratar da protagonista, prova querer ir além da mesmice e se levar mais a sério do que esperávamos, embora toda a sua aposta em histórias bobas e adolescentes seja o maior incomodo, capaz até de fazer revirar os olhos.

Ignorando isso (até o final) e se envolvendo com o seu humor e comédia muito bem encaixados, “D.U.F.F.” pode ser aproveitado com a maestria que pretendia. Afinal, de longe, não tinha visto um longa adolescente abordar uma abreviação que pode se tratar de qualquer pessoa e trabalhar em cima dela como um todo, sem se desviar do seu propósito. Apesar do rótulo ser a temática que logo fica evidente, vale ressaltar que se trata apenas de um dos aspectos que acompanham um D.U.F.F.

d.u.f.f.

Olhando para Bianca, percebe-se que ela já se sentia tudo o que o termo D.U.F.F. diria sobre ela antes mesmo de saber o que significava: deslocada, não tão festiva e incapaz de se declarar para o garoto pelo qual era apaixonada. Mas só trazendo luz às trevas para ela auto se descobrir, passando por todos os obstáculos para então se aceitar e saber que em todo lugar (até mesmo ao nos reunirmos para tirarmos uma foto), para cada pessoa, sempre haverá um D.U.F.F., e ao seu lado alguém mais bonito, mais rico, mais inteligente, otimista, animador, e você pode ser você mesmo sem se esconder e ter medo.

Apesar de ser composto dos mais altos clichês adolescentes que conhecemos e por trás de todo incomodo que esse aspecto causa, “D.U.F.F.” é um filme interessante, engraçado e divertido e, se isso não basta, talvez um esforço para aproveitar abordagem sobre rótulos, bullying e aceitação faça você mudar de ideia e entender como o longa é importante, não apenas um “mais do mesmo”.


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.