Comentário: Cuckoo (3ª Temporada)

É cada vez mais comum vermos séries que saem das páginas de seus roteiros exacerbadamente “enlatadas”. A excessiva industrialização dessa forma de entretenimento se dá, principalmente, pela grande fidelização que esse tipo de história cria, fazendo com que tenhamos uma temporada por ano em séries que se estendem por quase uma década, cliff hangers praticamente abusivos logo antes dos hiatos e, por fim, certa inconstância em relação à qualidade das temporadas, já que são muitas mesmo.

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Nesse cenário, Cuckoo despontaria como um ponto fora da curva,  graças a seus intervalos de dois anos entre cada uma das temporadas existentes e a confirmação da quarta temporada, porém ainda sem data para estrear. A série, vale lembrar, é produzida pelo canal BBC Three e distribuída aqui no Brasil como uma série Original Netflix. Ao fim da segunda temporada, tivemos um excelente episódio de natal, em que Lorna, a matriarca dos Thompson, descobre que está grávida, enquanto desconfia que está carregando o próximo messias e, ao mesmo tempo em que o noivado de Rachel e Ben se desmancha, a moça declara seu amor para Dale (o filho bastardo do seu marido morto). Confuso Dale termina fugindo.

Não podendo se inciar uma temporada de maneira melhor, temos a volta de Dale, que tornou-se capanga de um gangster na China e o nascimento de Syd, o bebê que foi erroneamente tomado como messias devido a uma vasectomia não feita. As tramas e subtramas que se seguem na terceira temporada já não são mais tão impressionantes como antes: as trapalhadas de Ken, a “vida universitária” de Dylan, o romance de Dale e Rachel, etc. Esse é um ponto em que podemos afirmar que a série caiu, entretanto, tudo continua sendo muito bem feito e, apesar de alguma previsibilidade, cenas de um surpreendente humor constrangedor podem ser apreciadas sem moderação.

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Concluindo, o grande mérito de Cuckoo, desde a primeira temporada, foi ter criado um personagem que, apesar de intruso e inconveniente, é carismático, acabando com a paz da família de classe média do interior da Inglaterra. Apesar da produção ter de “matá-lo” roteiristicamente para a segunda temporada,  a série conseguiu manter o seu espírito vivo de maneira criativa, coisa que dificilmente vai ser apagado e nem deve ser esquecido. Entretanto, após uma temporada de Dale, que ocupa a posição de Cuckoo, mas com um perfil completamente diferente, por mais que Taylor Lautner esteja se saindo muito bem, os recursos que o personagem oferece estão se esgotando e se repetindo; talvez a série tenha perdido um pouco a mão com isso. Como já dito, a quarta temporada ainda não tem data para sair, quem sabe eles não usam esse tempo para reinventar aquilo que já é bom (mas poderia ser melhor)?

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