Resenha | Você já assistiu Cowboy Bebop (1998)?

“Cowboy Bebop” é uma daquelas obras que todas as pessoas legais já viram e enquanto você ainda não assistiu, sempre que é questionado se viu ou não, a resposta é um cabisbaixo “não”. Finalmente consegui me organizar o suficiente para que eu me tornasse uma das pessoas que fazem a pergunta.

Kaubôi bibappu (1998)

Título: Cowboy Bebop

Diretor: Shinichirô Watanabe

Ano: 1998

Pipocas: 10/10

Costumo pensar que coisas geniais são frutos de referências. Não easter eggs jogados pela nostalgia, mas junções de ideias diversas para criar algo original e que funcione com coerência, como “parque + dinossauros” ou “magia + realidade”. “Cowboy Bebop” é também um exemplo disso. O anime pode ser definido como um faroeste futurista no espaço, e conta basicamente a história de quatro personagens: Spike Spiegel e Jet Black, dois caçadores de recompensas que vagam pelo espaço fazendo o que caçadores de recompensas fazem; Faye Valentine, uma moça desmemoriada; e Ed, uma jovem hacker realmente excepcional.

Embora não seja um traço da genialidade a que me referi, é importante notar que a obra é recheada de easter eggs. Desde Bruce Lee e seu estilo veloz de luta (e também a coincidência (?) de que os nomes dos dois protagonistas têm paralelos com “Lee’s” na vida real), à Bossa Nova de Tom Jobim, Jazz e Blues. De fato, não fosse o universo do anime tão bem estruturado, ele seria uma colcha de retalhos de referências.

Kaubôi bibappu (1998)

Alguns autores de livros, revistas, filmes, histórias em geral, possuem a capacidade de escrever utilizando sinestesia. Com palavras simples abrem portas para mundo áridos e úmidos, com sabores do diversos e os odores mais variados. Às vezes, os mundos das histórias fictícias são tão excitantes, tão apaixonantes, que tudo o que o consumidor quer é entrar neles e se tornar uma alma sem corpo, transformar-se em um espectador eterno dentro daquele universo interessante.

“Cowboy Bebop” é feito no formato procedural. Cada episódio possui um história fechada, mas todos eles seguem a mesma premissa de contar um pouco do passado dos quatro protagonistas. A cada aventura, o espectador conhece espaços diferentes e fantasticamente criativos – como um planeta rico em Hélio onde, de vez em quando, as pessoas falam fino. O mundo desse anime não se limita a um planeta, mas se expande para ambiente táteis e virtuais.

Então, eis que a Terra de “Cowboy Bebop” é um planeta sucata, cheio de lixo e com níveis oceânicos elevados devido ao agravamento do efeito estufa. O nosso futuro próximo é realmente detestável. A humanidade, porém, já conquistou outros mundos, e esses novos planetas possuem culturas diferentes, organizações diferentes e estilos de vida distintos. Na história do anime, dois pontos são linhas que ligam todos esses mundos. O primeiro é a própria humanidade, o segundo é a mídia.

Responsável direta pelo direcionamento das informações para a massa, a mídia pode criar necessidades improváveis para problemas inexistentes. Ou criar problemas improváveis a partir de necessidades inexistentes. De toda forma, o que se vê aqui são os canais de informação sendo usados de forma pitoresca. Senão em um boletim diário das novidades do bingo de recompensas, como uma ferramenta propagandista para ideias duvidosas e perigosas que prometem acalentar anseios comuns.

Beau Billingslea, Steve Blum, Melissa Fahn, Wendee Lee, Megumi Hayashibara, Unshô Ishizuka, Aoi Tada, and Kôichi Yamadera in Kaubôi bibappu (1998)

No fim, todas as histórias de “Cowboy Bebop” refletem sobre a própria vida. Todos buscam um sentido para a própria existência. Tão complicado quanto a decisão simplista de Ed, é o choque de Faye por ter perdido o próprio momento de vida, por ser alguém fora do seu tempo. E enquanto as mazelas de Jet e Spike são mascaradas pelo silêncio, enfrentar esses problemas é a única maneira deles sentirem que estão vivos.

Aprendemos ao longo da vida, com vários herois e heroinas, que ao final de cada aventura existe um tipo de morte. Mas nenhuma história possui um final definitivo. E se esta morte não for física, marca o renascimento do personagem.

Cowboy Bebop
“Bang”

 


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Leandro Bezerra

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