Comentário | Quem é Batwoman? Do ostracismo ao renascimento

Desde uma personagem criada para dar um contraponto à personalidade de Batman, até a protagonista de sua própria história, a vigilante de Gotham, Katherine “Kate” Kane, recebeu, além de espaço, sua própria importância durante as décadas – principalmente quando foi trazida de volta a público após anos deixada no limbo – está é a Batwoman.

Criada em 1956 por Bob Kane – do qual recebeu seu sobrenome em homenagem – e Sheldon Moldoff, Batwoman veio com a missão de se tornar uma parceira para o Batman, funcionando também como um interesse amoroso para o morcego em resposta às indicações de que ele seria homossexual – boatos esses levantados pelo psiquiatra alemão Fredrik Wertham em um livro de sua autoria chamado “ A Sedução dos Inocentes”.

Suas histórias na Detective Comics – onde apareceu pela primeira vez na edição de número 233 – acabaram por ter uma vida breve, já que em 1964 a personagem foi deixada de lado e substituída pela Batgirl, que acabou fazendo mais sucesso entre os leitores que a heroína de traje vermelho e amarelo por tratar de histórias mais “pé no chão” e com uma facilidade maior para se relacionar com as pessoas.


A questão é que essa troca de personagens acabou deixando a Batwoman longe do público por mais de quarenta anos, que foi quando a personagem recebeu uma nova roupagem, bem mais atual e uma personalidade forte, bem diferente da que tinha sido mostrada nas décadas de 50 e 60. Alex Ross foi o encarregado de desenvolver essa nova visão da personagem, que agora adotava um uniforme com padrões mais parecidos com o do vigilante mascarado de Gotham City, predominantemente preto, mas que ainda mantinham detalhes em vermelho, como o símbolo do morcego no peitoral. Porém, as mudanças na personagem foram bem além da estética e do visual, a DC procurava romper paradigmas e introduzir Kate em uma narrativa que apoiasse na diversidade e desvinculasse a imagem dela da mulher que era sempre resgatada pelo Batman, e essa foi uma decisão que estabeleceu a versão definitiva da personagem daquele dia em diante.


Se distanciando bastante da sua versão inicial, Kate hoje é filha de militares que também trabalharam como agentes secretos. Quando pequena, Kate, sua irmã e sua mãe foram raptadas, torturadas e mantidas em cativeiro por algumas semanas. O próprio pai de Kate, o coronel Jacob Kane, trabalhou na missão de resgate, mas acabou por não conseguir impedir que sua filha Elizabeth e sua esposa, a capitã Gabi Kane, fossem assassinadas. Esse evento gerou um trauma grande em Kate, que presenciou os assassinatos.

Um pouco mais velha, Kate ingressou na academia militar, onde era considerada uma aluna exemplar pela suas notas, mas após ser acuada de ter mantido uma relação com uma outra estudante, Kate foi perseguida por diversos bullies, o que levou à sua expulsão da academia. Esse acontecimento minou sua intenção de agradar o seu pai, já que ingressar na academia era um desejo antigo dele. Após o ocorrido, eles se mudam para Gotham, onde Kate iniciou a faculdade e também conheceu Renee, com quem teve um relacionamento por alguns meses. Até que, após ser confrontada sobre a forma sigilosa com que elas se relacionavam, já que Kate não queira se abrir para a sua família, Renne decide terminar o namoro.

batwoman
O grande momento de virada na vida da heroína foi quando, após revidar a um assalto usando seus conhecimentos militares e habilidades de combate, Batman vem ao seu encontro. Esse momento despertou em Kate tudo aquilo que estava sendo guardado internamente, guiando ela na sua caminhada para se tornar a Batwoman que conhecemos hoje.

Em 2017, Batwoman ganhou mais uma revista solo na saga Rebirth. Voltando em um arco profundo e cheio de ação, a heroína se mostra mais forte, determinada e, em alguns momentos, mais vulnerável – mas de uma forma mais humana, não indicando fraqueza em si. Investindo em seu passado de forma madura e extremamente bem escrita, Marguerite Bennett e James Tynion IV conseguem balancear muito bem os mistérios que envolvem sua história e os problemas que ela precisa lidar por já estar em ação por alguns anos.

 


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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.