Resenha | Como Eu Morro (2016) – aprendendo a não fazer um slasher

Sabe quando o gênero do terror decide entregar algo ousado, estiloso e cheio da nostalgia para o seu público? “A Morte Te Dá Parabéns” – que já garantiu uma sequência para o ano que vem – pode ser tido aqui como um excelente exemplo para essas características. Mas sabe quando um filme de terror se afunda na própria ideia, que aparentemente tinha um bom material para ser trabalhado? Bem, o longa “Como Eu Morro” se encaixa nesses requisitos, e o que tinha de potencial para ser explorado acabou mostrando como ser um filme slasher desnecessário.

Título: Como Eu Morro (“Tell Me How I Die”)

Diretor: D.J Viola

Ano: 2016

Pipocas: 4/10

Contém pequenos spoilers sobre o filme

Lançado em 2000, o filme “Premonição” rendeu excelentes elogios por combinar elementos sobrenaturais numa película tensa acima da média, mais tarde se tornou uma franquia com mais quatro sequênciase a promessa de um sexto filme. Para o subgênero slasher, temos uma porrada de títulos, podendo apontá-los do melhor para o pior. Misturando a premissa conhecida de “Premonição” com a dos filmes slashers, “Como Eu Morro” moldou a sua interessante proposta somando o suspense, o terror e a ficção científica para, no fim, alcançar um feito pífio e sem alma.

A trama tem início quando um grupo de jovens decide ser voluntário como cobaia para um estudo clínico a fim de receberem dois mil dólares. O que eles não esperavam era que um efeito colateral surgiria no meio do estudo, permitindo que um dos voluntários tivesse premonições de suas mortes – com direito a furos na maneira como as mortes foram previstas em relação a forma que aconteceram -, e o pior: que um assassino misterioso parecia estar um passo à frente de tudo e disposto a executar os assassinatos.

A medida que os voluntários compreendem a responsabilidade que têm em mãos, há um forte indício que o longa trilha por um caminho interessante. Depois, um pouco de suspense para familiarizar o público com a construção da trama de maneira equilibrada e leve vai tornado “Como Eu Morro” um filme agradável e curioso de assistir. Os problemas começam quando é preciso mostrar o terror – que não existe. Atentando para as muitas informações dadas ao longo da película, entendemos que o assassino carrega uma vantagem para aplicar o seu plano, o que requer estabelecer a lógica e regras do enredo.

Anna, a protagonista sem graça que tem as premonições das mortes

De maneira não tão didática – felizmente – sabemos que o assassino não só sabe as maneiras que suas vítimas morrerão, como também cada passo que darão para se salvarem. Logo, o assassino dar pistas de tais mortes para os voluntários, acrescenta para outro ponto positivo do filme. Mas o que era para mesclar um jogo tenso entre vilão e mocinhos, acaba alçando um efeito vergonhoso de se acompanhar. De todos os aspectos que desmerecem “Como Eu Morro”, os personagens chegam a ser o fato mais desfavorável por se tratarem de elementos essenciais para criar uma conexão com quem assiste e, principalmente, para movimentarem a trama, pois se apresentaram como peças jogadas, em detrimento do que está sendo mostrado.

De maneira nenhuma “Como Eu Morro” deve ser visto como um filme ruim, e sim como um filme que esforça para se destacar, mas que termina chegando a lugar nenhum. Se os personagens não cumpriram seus papéis – e muito menos pudemos contar com boas atuações – e se o terror parecia enferrujado para conseguir convencer, ainda restava mais somatórios para o longa continuar sendo desmerecido. Mais um fato essencial que deve ser considerado – só sobre a extrema importância para qualquer regra estabelecida manter a coerência (que filminho aqui não conseguiu) -, e para justificar as mancadas, o roteiro se apegou simplesmente na saída fácil das suas reviravoltas para aprimorar a trama.

como eu morro
que killer mais meia boca, minha gente

Pelo jeito, nada mais poderia tornar o filme um desserviço, mas uma vergonha ali e outra aqui não iria fazer diferença, certo? Não, e a esquisitice é o que reina. É do saber de muitos que até mesmos as produções mais questionáveis de um slasher deveriam contar com uma cena de morte muito bem bolada, mas “Como Eu Morro” prova não entender que a questão não é chocar, mas sim fazer com que o que está sendo assistindo cause alguma empatia para o público. Com isso, deveríamos nos importar com a situação que o personagem está passando e nos envolvermos. Como disse, a preocupação do longa foi mais em apresentar o quesito “chocante” do que um mais humano.

Uma vez que você saiba, é bom esperar por cenas mal executadas – que mais parecem falsas ou não finalizadas -, atuações sem alma e um filme que não engata. “Como eu morro” é uma aula de como perder tempo assistindo um filme desnecessário para o subgênero slasher.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.