De que maneira você assiste a um filme?

Ver um filme é uma prática muito comum. Seja em ir ao cinema com os amigos, no conforto do sofá de sua casa, até mesmo em qualquer outro equipamento eletrônico que você costuma utilizar. Mas não é sobre o que você usa para usufruir desse momento que eu quero falar, e sim, sobre a intenção pela qual você assiste a um filme.

Talvez, você vá ao cinema por conta dos blockbusters serem o que te chama mais atenção – ou por estar seguindo o hype. “Ah, é o filme do Homem-Aranha, tenho que assistir”, ou porque quer ver “Batman vs Superman” por causa do embate entre ambos e assim por diante. Mais do que isso, você vai tendo a convicção de que irá sair do cinema satisfeito por serem os tipos de filmes que garantem o entretenimento esperado.

assiste a um filme

Ou talvez você seja mais convencional e dê preferência a assistir um filme que já viu várias vezes, mas que é o seu favorito. Escolher um de comédia por estar a fim de rir, ou de terror porque gosta dos sustos. Mas será que assistir, é por fim simplesmente dizer que achou bom, médio, top e que teve algumas cenas que não curtiu muito? Sair da sessão de “A Culpa é das Estrelas” dizendo o quanto o longa lhe arrancou as lágrimas, mas sem saber descrever algo a mais que isso? É bom porque emocionou. Nisso, formamos sempre as mesmas avaliações para tudo que estamos assistindo; até mesmo se não atender as expectativas já é o suficiente para a obra ser ruim?

De alguma forma, no seu conceito mais básico um filme tem muito a ensinar, como por exemplo, ao retratar um tema importante e frequente no nosso cotidiano, mas por assistirmos esperando ver todas as cenas, apontar uma e outra como boa, e sem nenhum argumento concluir que não gostarmos é que deixamos de aproveitar a real essência que pode ter ali – ou apontar o que faltou. Até mesmo o filme de terror pelo qual você não se empolgou e achou sem graça – como comigo e “The Babadook” – vai muito além do entendimento do seu enredo, podendo te ganhar nos detalhes.

Não quero dizer que a maiorias das pessoas assiste a um filme com essa perspectiva de deixar de apreciar o longa como deveria, mas este pensamento, de tentar enquadrar os filmes em um termo de “bom” ou “ruim”, subestimando o quanto ele pode te impactar e ter nuances, é um pensamento que faz parte da experiência de muitos. Pode ser no filme que você não compreendeu o enredo e achou confuso, como também uma animação. Ah, é só desenho, é para crianças, o que mais pode ter? Assistimos sem questionar, sem fazermos um pequeno esforço para entender um roteiro.

Por fim, de maneira nenhuma quero dizer com este texto como você deve assistir um filme no cinema ou da sua lista da Netflix – o que você acha sobre, o que quer que seja, te pertence – mas trazer um pouco de como opinamos o que assistimos. Talvez tenha mais a debater e aproveitar do que apenas uma palavra que usamos para definir um longa como um todo.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.