Comentário | Uma breve história do Tokusatsu

Após o término da Segunda Guerra Mundial, quando os japoneses ainda estavam apavorados com destruição causada pela bomba atômica, a empresa cinematográfica Tōhō teve a ideia de produzir um filme sobre as consequências da radiação e seus efeitos catastróficos tanto para o ser humano quanto para a natureza. Assim, em 1954, unindo as mentes brilhantes do diretor Ishirō Honda e do pioneiro em efeitos especiais Eiji Tsuburaya, foi possível a criação do primeiro filme tokusatsu conhecido mundialmente como Godzilla.

Godzilla (1954)

O filme foi um grande sucesso não apenas comercialmente, mas também como o estopim para a produção de um tipo de entretenimento jamais visto. Na época, havia muitos espaços na grade televisiva que precisavam ser preenchidos com baixo orçamento, afinal, a indústria ainda estava se reerguendo. Dessa maneira, a melhor opção foi produzir programas infantis que não necessitavam grandes desenvolvimentos narrativos e abusavam de efeitos especiais baratos, dessa maneira, divertindo e impressionando o público sem grandes dificuldades.

Super Giants (1957) e Gekko Kamen (1958)

Para completar a fórmula, foram adicionados dois elementos que continuam até hoje nos tokusatsus. O primeiro é a incorporação máxima de cultura japonesa nas produções através de referências ao folclore e religião. Isso pode soar óbvio, mas lembre que o objetivo não era único e exclusivamente entreter o público, era também lembrá-los do orgulho de ser japonês diante de todas as influências do exterior. Motivo esse do Super Sentai focar no trabalho em equipe e do líder sempre usar vermelho, a cor do sol nascente na bandeira japonesa. O segundo elemento eram as coreografias de luta-livre, evento que era incrivelmente popular. Assim como os efeitos especiais, as lutas prendiam a atenção do público e podiam ser repetidas quantas vezes fosse necessário. Seguindo esta fórmula de efeitos especiais, cultura japonesa e lutas, surgiram os primeiros super-heróis de tokusatsu como Super Giants, Gekkō Kamen, e Kaze Kozō.

No  anos 60 então, grandes empresas começaram a investir no tokusatsu, fazendo assim com que o sucesso das séries começasse a ser medido em venda de brinquedos, o que perdura até hoje. A grande jogada do tokusatsu é que a produtora de brinquedos não precisava se esforçar para transpor algo das telas para realidade como com animes. Numa grande jogada de marketing, toda a série e brinquedos eram planejados antes das gravações começarem, e assim o herói poderia literalmente usar os brinquedos já produzidos como equipamentos, tornando sua exibição num grande material de marketing. Este esquema se provou tão lucrativo que também é mantido até os dias de hoje.

tokusatsu
Kamen Rider Ex-Aid (2016)

Por último, com o advento da televisão em cores, o tokusatsu adotou sua identidade padrão com Ultraman em 1966. De acordo com o criador Eiji Tsuburaya, o tokusatsu deveria ser algo visivelmente falso para as crianças saberem que se tratava de uma obra de ficção e, seguindo este pensamento, o tokusatsu dos anos 1970 se tornou colorido, exagerado e fantástico beirando propositalmente ao ridículo. Seguindo esta linha, o gênero perdura com suas franquias principais tendo praticamente mais de 40 anos de transmissão quase que ininterrupta.

 


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Aldeão da terra do morango, tokufã de carteirinha e editor dos tronos