Comentário: This Is Us – 1ª Temporada

Esse texto contém spoilers da temporada – leia por sua conta e risco (mas leia assim mesmo).

Muito além de apenas um grupo de pessoas ligadas pelo sangue, a família é também um grupo de pessoas com problemas. E quando essas pessoas aceitam os problemas umas das outras, aprendem a conviver e se unem por algo maior: O amor. Nesses 18 episódios da primeira temporada de This Is Us, somos apresentados aos Pearsons, que com seus pequenos ou grandes problemas, nos agraciaram com uma das melhores estreias do último ano.

This is us

A série é uma crônica da relação de três pessoas que nasceram no mesmo dia e em como seus laços familiares afetam suas vidas. Rebbeca (Mandy Moore) e Jack (Milo Ventimiglia) são um casal a espera de trigêmeos. Kevin (Justin Hartley) é um galã cansado de fazer papéis superficiais, Kate (Chrissy Metz) é uma mulher obesa que vive em uma eterna luta para perder peso e Randall (Sterling K. Brown) acaba de reencontrar seu pai biológico que o abandonou quando ele era apenas um recém-nascido. Com essa premissa relativamente comum e que poderia acabar com ares de novela, This Is Us consegue se sair bem em criar uma trama baseada na afetividade entre o público e seus personagens sem se tornar clichê.

O roteiro, relativamente simples, tem como um dos maiores atributos positivos a criação de seus personagens, que acaba criando aos poucos uma atmosfera onde se torna difícil não se sentir cativado por eles. A indiferença com os inúmeros conflitos dos personagens é quase nula e a afetividade é muito bem trabalhada ao longo dessa temporada.

This is us
Todos os atores estão bem em seus papéis, e também são grandes responsáveis pelo peso de seus personagens. Todos são extremamente reais e cativantes, seja dos mais cheios de nuances aos mais simples. Sem precisar de grandes reviravoltas, emocionam através de seus diálogos reflexivos e muito bem trabalhados. Um medo do início da temporada seria o nível cair após um piloto bastante emocionante que brinca com as duas linhas temporais em que a história se passa, mas apesar de pequenos tropeços, consegue até elevar seu nível.

Aliás, decidirem contar a história em duas linhas temporais acabou criando um marco para a narrativa: O pré e o pós-Jack. E nesse pequeno mistério – junto ao enorme carisma de Milo Ventimiglia- de como foi a morte de Jack, que o personagem acaba ganhando um grande destaque e se tornando o favorito de boa parte do público. É difícil não se deixar envolver pelo pai dedicado, quase perfeito, que definitivamente é o pilar dessa família, ainda mais quando sua absurda química com Mandy Moore (como Rebecca) nos faz acreditar cegamente no amor do casal. E apesar do último episódio da temporada  ter decepcionado algumas pessoas por não dar respostas sobre a morte de Jack, se mostra importante exatamente por trabalhar mais esse lado da história, sem apressá-la.

This is us

Com uma sensibilidade ao retratar os laços familiares de uma forma que não se via a anos da TV aberta americana, This Is Us é capaz de cativar a qualquer um que saiba da importância desses laços. Um misto de amores, dores, sorrisos e variados outros sentimentos de quem assiste, ao longo dessa temporada além de nos apaixonarmos por esses personagens, somos levados a pensar em nossas próprias famílias. Pois apesar de todos os problemas, a base da maior parte das pessoas continua sendo essa. Esses não são apenas os Pearsons, esses são eu, esses são você… Esses somos nós.

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Lucas Bulhões

Estudante de programação que odeia programar e que se arrisca a escrever nas horas vagas. Sonha em conhecer todo mundo sem ao menos conhecer a si mesmo. Libriano não praticante.