Comentário: Superstore (1ª Temporada)

A NBC é lar de grande parte das maiores comédias da TV. Foi lá que surgiu Seinfeld, Friends, e posteriormente tesouros como The Office, Parks and Recreation e a subestimada (pelo público) 30 Rock. O canal ainda é casa do programa de esquetes Saturday Night Live que já tem 40 anos de vida – e que eu acompanho semanalmente há alguns anos.

Enquanto algumas dessas séries são sucessos carimbados de crítica e audiência, outras, como Parks e 30 Rock passaram toda a sua duração lutando pelo grande público; embora sempre ganhassem os prêmios dos críticos, se mantiveram graças à sua fiel base de fãs. Superstore segue o mesmo caminho desses azarões e, da mesma forma que The Office e Parks, segue uma primeira temporada instável, mas um ótimo elenco aos poucos releva uma série muito promissora.

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A série é centrada em volta dos funcionários da megaloja ficcional “Cloud 9″, que vende de absolutamente tudo. O gerente, Glenn (Mark McKinney) é homem cristão doce e meio louco que tenta coordenar seus funcionários, como o recém chegado garoto-perfeito Jonah (Ben Feldman, da finada A to Z), a jovem grávida e avoada Cheyenne (Nichole Bloom), o ambicioso Mateo (Nico Santos) e Garrett (Colton Dunn), um cadeirante que tira proveito de sua paralisia para se dar bem o máximo possível. Para auxiliá-lo nessa tarefa, Glenn conta com sua assistente de gerente, a assustadora Dina (Lauren Ash), e sua supervisora Amy (America Ferrera, que um dia foi a Ugly Betty).

Como em toda história de premissa simples, principalmente em comédias, o sucesso da série depende do carisma de seus personagens. O começo da série é arrastado, e é difícil passar dos primeiros dois episódios. O alívio ao marasmo inicial são as vinhetas durante o episódio que mostram que os clientes da loja são tão bizarros quanto aqueles que ali trabalham, e sempre rendem ótimas cenas.

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Esquerda à direita: Garrett, Mateo, Jonah, Amy, Glenn, Cheyenne e Dina.

À medida que a série vai progredindo, os personagens se consolidam, e aprendemos qual é o ritmo do programa, e um interesse amoroso se constroi, como esperado – e é aí que a série te pega, e te mostra que não é preguiçosa ao ponto de se entregar aos clichês. Isto acresce um charme e complexidade aos personagens, e é um destaque de Superstore em relação aos amontoados de séries genéricas que tomam de assalto as tevês americanas todo ano.

As atuações são sólidas, e terminamos a temporada gostando de todos os personagens, cada um à sua forma, e ao fim dos 11 episódios do ano de estreia, queremos mais. O roteiro, por outro lado, tem boas ideias e bons desenvolvimentos, mas às vezes falha na construção e entrega das piadas, de forma que estamos sempre sorrindo, mas raramente gargalhando com algo em cena. Já nos últimos episódios da temporada, a série começa a incluir alguns elementos de absurdo – como a forma que a sede se movimenta de forma imediata e enérgica só de ouvir a palavra “sindicato” ou “greve” – que acrescenta uma dinâmica diferente ao show – e funciona.

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O mais interessante da série é em termos de tom. Embora comece também incerto, o programa logo se define como uma série leve, que evita conflitos graves, e que mesmo as questões sociais são tratadas de maneira comprometida e divertida por todas as minorias que compõem o quadro da empresa. O clima de esperança e ingenuidade permeia todos os arcos, e é gostoso ter este alívio, principalmente depois de um longo dia de trabalho. Superstore, nesse ponto, se mostra como uma série jovem para nós que já somos adultos.

Ao fim de sua curta temporada inicial, e tendo em vista que já foi renovada para um segundo ano, Superstore se apresenta como um programa com muito potencial, como tantas outras que tiveram inícios curtos e inseguros na NBC. Sendo assim, olhando a companhia que ela tem, podemos guardar uma esperança de um bom crescendo. Caso isso não aconteça, podemos sempre pedir nosso dinheiro de volta…

…certo?

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Leia Também:

Outra série (miraculosa) da NBC, “Hannibal”.

Os principais destaques das emissoras americanas nesta última temporada.

E o nosso PontoCast, com o pessoal do Diário de Seriador, comentando essas séries.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.