Comentário | Quem é Mario? O encanador através dos anos

Para todos aqueles que cresceram nos anos 80/90, e vivenciaram a era de ouro da Nintendo com os jogos do NES, com certeza existem alguns games e personagens favoritos que possam ter sido levados no decorrer dos anos para as suas vidas, até mesmo repassando essas experiências para uma geração mais nova que já nasceu com parte desses personagens estabelecidos. Entre várias franquias que fizeram sucesso, existe uma em particular que moldou muito das experiências e das referências de jogos nas décadas seguintes, e hoje vamos tirar um tempinho para falar um pouco melhor sobre uma delas, a franquia do nosso velho amigo Mario.

 

No início de tudo, lá pela década de 80, a Nintendo procurava fazer um jogo baseado no desenho do maior comedor de espinafre da história, Popeye, e deixou Shigeru Miyamoto – que pode ser considerado o pai de Mario – como responsável pelo jogo – ou talvez deveríamos começar o chamando de Jumpman. Isso tudo porque Mario nem sempre foi o nome do maior encanador do planeta, que também não começou sua história nessa profissão – até no mundo dos games é super normal ter segundas opções – Mario iniciou sua carreira como carpinteiro. Mas o projeto de adaptar o marinheiro Popeye para a plataforma de games não foi muito longe, mesmo após Miyamoto já ter escrito e desenvolvido as principais ideias para o jogo, a Nintendo acabou perdendo os direitos de imagem do personagem, o que levou ao seu cancelamento.

Jumpman apareceu pela primeira vez no jogo Donkey Kong, resultado direto da escolha da empresa por seguir as ideias implantadas por Miyamoto na tentativa de fazer seu próprio hit original. Com uma missão bem simples, nosso herói só precisava saltar alguns obstáculos, subir algumas escadas e salvar Pauline, sua namorada, das mãos do gorila. Após o jogo fazer um baita sucesso, a Nintendo preparou uma sequência/spin-off para o jogo lançado em 1981, chamado de Donkey Kong Jr. O jogo expandia a ideia do original, mas agora tinha um diferencial bem interessante: Mario era o vilão do jogo e Kong Jr. passava o tempo inteiro caçando o encanador de bigodes.

Ganhando seu nome em homenagem a um funcionário da Nintendo que tinha uma grande semelhança com o personagem, Mario começou aos poucos a ganhar sua própria história e um universo para si, mas isso foi evoluindo gradativamente ao longo dos anos. Em 1983, Mario estrelou seu próprio jogo no Arcade, Mario Bros., que contava com a presença de seu irmão de vestes verdes Luigi. Ambos são retratados como encanadores de descendência  ítalo-americana – não, eles não são só italianos – e juntos investigam o aparecimento de diversas criaturas nos encamentos da cidade de Nova Iorque.

No jogo, Mario e Luigi tinham quatro inimigos em seu caminho: o Slipice, que tem a habilidade de transformar a superfície das plataformas onde os personagens andavam em gelo, o que fazia dela bastante escorregadia; o Sidestepper, que só era derrotado após levar dois golpes; o Shelicreeper, que só ficava andando pelas fases; e o Fighter Fly, que se move pulando e só poderia ser derrotado quando estivesse de fato na plataforma – o que tornava ele bem chatinho. De acordo com o progresso do jogador as coisas iam ficando mais complicadas, como já era de se esperar, e algumas bolas de fogo apareciam de vez em quando para manter o feeling vivo. Mas a boa notícia é que o bloco “POW”, que acabou se tornando uma grande arma dentro do jogo, estava sempre presente, podendo ser usado por até três vezes na fase virando todos os inimigos, e também existiam as rodadas-bônus que davam aquela chance de conseguir vida e pontos sem ter que enfrentar nenhum inimigo.

Assim como ocorreu com Donkey Kong, não demorou muito tempo até que um novo jogo do personagem fosse anunciado. Em 1985, no NES, chegava o grandioso Super Mario Bros., se tornando o jogo mais vendido da história por pelo menos vinte e dois anos seguidos. O sucesso do jogo foi tão grande que acabou fazendo com que Mario se tornasse a maior referência da Nintendo, já que se estabelecia como seu principal personagem. Vendendo milhões e milhões de cópias, o primeiro jogo a carregar o nome do encanador até hoje é lembrado e já ganhou até uma versão remasterizada.

O jogo consistia na clássica história do personagem em busca de salvar a sua amada Princesa Peach – na época conhecida como Princess Toadstool – das mãos de Bowser, seu maior inimigo, e o reino da princesa do governo dos Koopa Troopa. Acrescentando ao seu legado, Super Mario Bros. ganhou três continuações diretas, Super Mario Bros.: The Lost Levels, Super Mario Bros. 2 e Super Mario Bros. 3. Em 1993, a Nintendo ainda chegou a lançar no Super NES a coletânea Super Mario All Stars, que trazia todos os jogos da franquia Super Mario Bros. lançados até o momento contando com melhorias gráficas, repetindo ainda esse feito em 2010, com uma versão comemorativa dos vinte e cinco anos do personagem no Nintendo Wii.

Daí para frente Mario não deixou de marcar presença em diversos jogos ou de criar novas franquias. O personagem apareceu em novas versões dos jogos do Donkey Kong e em vários outros títulos da empresa, partindo tanto de jogos bem simples que não precisavam necessariamente de um console, como puzzles e jogos de memória, entre tantos outros produtos licenciados, como estrelou em outras plataformas incluindo o Game Boy – tanto nas versões Color como a Advanced, Nintendo 64, Game Cube, Nintendo DS, Wii entre outros.

Em sua história ainda existiram outras franquias que merecem destaque pela sua qualidade e por transportarem o personagem tão bem pelos anos, como Super Mario Land do Game Boy, servindo em sua sequência para apresentar o vilão Wario, contraparte do herói em 1992, que no ano de sua estreia já se mostrou um antagonista a altura das histórias de Mario e que conseguiria ser explorado bastante nos próximos jogos.

Mas foi no Super NES, em 1991, que um dos melhores jogos do encanador foi lançado. Super Mario World. – que no Japão era conhecido como Super Mario Bros. 4 -, que não somente foi o jogo mais vendido do console como apresentou Yoshi ao mundo, e a terra dos dinossauros também – vale dizer que este o meu jogo favorito. Na história do jogo não houve nenhuma mudança radical, a ideia ainda permanecia a mesma do primeiro jogo do Super Mario, mas a inclusão dos novos personagens e de novas habilidades para eles deixou o game super completo. O jogo também ganhou uma sequência em 1995 chamada de Super Mario World 2: Yoshi’s Island e se passava antes dos acontecimentos do primeiro jogo, quado Mario ainda era um bebê.

mario

E não parou por aí! Nesse meio tempo entre o lançamento de Super Mario World e de sua sequência, Mario ganhou seu próprio jogo de corrida – bem Velozes e Furiosos mesmo. Super Mario Kart chegou ao mundo em 1992, explorando diversos ambientes enquanto competia com diversos personagens do universo de Mario estabelecido até o momento. O jogo não só foi um baita sucesso como já ganhou diversas continuações e versões para consoles diferentes da empresa, sempre mantendo um bom nível de vendas. Sem falar que até no ambiente mobile o personagem já deu as caras!

Ao longo dos anos esse sucesso só cresceu e hoje é bem difícil encontrar alguém com mais de dez anos de idade que não conheça Mario. Isso não somente é uma constatação do excelente trabalho feito por Miyamoto, como também do esforço da própria Nintendo em investir na imagem do personagem e fazer história através dele.

 


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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.