Comentário: Lifehouse, “Out of the Wasteland” (2015)

Para esse álbum eu quero tentar algo diferente com vocês. Lifehouse tem trilhado minha vida e ressoado pela minha casa há uns bons dez anos; foi uma das primeiras bandas que eu comecei a escutar de fato. Assim sendo, visto que em 2015 o Lifehouse completa 15 anos do seu primeiro álbum, “No Name Face” (2000), dez anos de seu álbum homônimo (2005, o terceiro trabalho da banda) e também lança sua nova empreitada “Out of the Wasteland” (Ironworks, 2015), nós vamos usar paralelos entre esses dois trabalhos para ver um pouco da história da banda enquanto comentamos o álbum que saiu hoje (sim, hoje. Meu nome é Barry Allen, e eu sou o homem mais rápido do mundo). Vamos lá?

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Um pouco sobre o álbum: depois de uma recepção morna da crítica (ou seja, um gigantesco “meh”) para o seu álbum anterior (“Almería”, 2012), Lifehouse acabou debandando para que os membros pudessem trabalhar em projetos solos e parcerias com bandas como Goo Goo Dolls (parceira no cenário musical em evidência no fim dos anos 90/início dos 2000). Quando o vocalista e compositor Jason Wade escreveu “Flight” e “Hurricane”, percebeu nas músicas o que há de realmente essencial na banda e, ao contrário das explorações sonoras pelo sul estadunidense e suas fronteiras no álbum anterior, agora estava na hora do Lifehouse voltar a estaca zero e se refazer a partir do que viam como basilar para a existência da banda. Reagrupou-se os membros e logo nascia “Out of the Wasteland”.

Estão comigo até agora? Então sigamos em frente.

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O primeiro single do novo álbum, “Flight”, foi lançado em 18 de novembro de 2014 – bem antes do lançamento do CD. Foi o primeiro vislumbre que tivemos do que o Lifehouse viria a ser, mas não éramos estranhos à sonoridade; a música lenta, em um crescendo emocional, lembra “Aftermath” (do álbum anterior, “Almería”) e “Learn You Inside-Out”, do compilado “Who We Are” (2007). Este, por sua vez, também teve um single lançado em novembro (13/11/2007), “Whatever It Takes”, relativamente bem-sucedido para os padrões da banda, alcançando a posição 33 no Hot 100 da Billboard.

Já em 28 de janeiro de 2005, o Lifehouse lançou uma das suas canções mais famosas: “You and Me”. Embalada pelo sucesso na série de TV “Smallville” (na época ainda famosa e com traços de sua qualidade de outrora), a faixa romântica também foi trilha sonora de muitos casamentos mundo afora. 9 anos e 364 dias depois (só uma aproximação; sou de Humanas), Lifehouse lançou o segundo single de “Out of the Wasteland”, a canção “Hurricane” que, embora seja próxima em termos de data, é bem diferente da sua antepassada.

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Lifehouse na quarta temporada de Smallville.

“Hurricane” traz uma mensagem de libertação do passado sobreposta a um arranjo que lembra “Hanging by a Moment” (do excelente “No Name Face”, 2000, que foi a trilha sonora do mais próximo que tive de uma fase revoltada no auge dos meus 13 anos) – música essa escolhida pela Billboard como “Música do Ano” em 2001. Destaca-se também “Wish”, feita à voz e violão, e “Central Park”, que por algum motivo inexplicável me lembrou muito Goo Goo Dolls em sua fase mais recente. Já tanto os arranjos quanto a temática de “Hurt This Way” e “Hourglass” trazem muito da fase “Stanley Climbfall” (2002). A sonoridade de “Smoke and Mirrors” (2010), álbum da ensolarada canção “Halfway Gone”, é revisitada (embora com bem mais efeitos) em “Alien” e “Stardust”. Mesmo o mais fraco de todos os álbuns da banda, o “Almería”, também é lembrado, embora só em um curto momento em “One for the Pain”.

“Out of the Wasteland” nos mostra Lifehouse literalmente saindo do deserto de “Almería” e voltando para casa, abrindo sua caixa de recordações (não é possível que só eu tenha uma dessas) e relembrando momentos de suas fases passadas, agregando no processo o que aprenderam – principalmente com seus erros. Ainda assim, se mostra muito mais como um álbum para fãs da história da banda do que um compilado que vá atrair novos ouvintes; as músicas dificilmente vão ganhar destaque nas rádios. Ainda assim… Ei, você está aí, querendo explorar uma banda que não conhecia? Lifehouse faz um tour pela casa deles com este novo álbum, e te mostra um pouco do que eles sabem fazer de melhor: ser a trilha sonora de vidas.

Se você gostou de “Out of the Wasteland”, também poderá gostar de:
– “Dizzy Up the Girl”, The Goo Goo Dolls (1998, um dos meus álbuns favoritos de todos os tempos. Me julguem.)
– “The Invisible Band”, Travis (2001)

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.