Comentário: Gravity Falls – 1° Temporada

Não tenho vergonha de dizer que sou fã da Disney. Ora, ela só participa da infância das últimas 5 gerações que andaram e andam pelo planeta. Porém não basta reconhecer essa empresa realizadora de sonhos, tenho que abraçar minha criança interior e gritar de felicidade com a incrível Gravity Falls! O desenho acompanha dois irmãos gêmeos, Dipper e Mabel Pines, mandados por seus pais para passarem o verão em Gravity Falls, uma cidade no interior dos EUA, com seu tio-avô Stan, dono de uma “armadilha para turistas” chamada A Cabana do Mistério. A cidade não é um local normal, é claro, e a chegada dos irmãos desencadeia diversos acontecimentos sobrenaturais que montam a primeira temporada.

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Já faz tempo que desenhos animados pararam de ser compostos por episódios desconexos, cuja estória geral mal importava. É uma tendência dos dias de hoje termos grandes roteiros e ações que realmente reverberam pelo resto da série, anexados a diversas referências à cultura pop em geral, e o roteiro dessa animação acerta em cheio nesse aspecto. Mesmo lidando com a fórmula “problema da semana”, os elementos da trama são dispostos aos poucos e de forma coerente, conseguindo prender a atenção do público. Ainda vemos mensagens subliminares em rápidos takes, ou números que aparecem durante os créditos, que quando decifrados mostram uma parte da trama maior ou algo relacionado ao episódio em si.

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Os personagens merecem todo o destaque possível. Comecemos com os gêmeos: Dipper é centrado, gosta de resolver mistérios e procura sempre parecer mais velho e responsável; Mabel é quase que seu extremo oposto, sendo divertida e infantil, sempre levando tudo na brincadeira. O tio-avô Stan é um malandro, amante incondicional de dinheiro e de seus netos, porém guardando muitos mistérios do mundo. Wendy, umas das funcionárias da Cabana, é a típica adolescente rebelde: sempre arranja uma forma de escapar do trabalho e rouba o coração de Dipper (mesmo que ela não saiba). O faz tudo Soos é uma das melhores partes do desenho, sendo o mais non sense entre eles.

Ainda temos uma gama imensa de personagens “secundários”, que se mostram importantíssimos para o desenho. Vemos o Pequeno Guideão, uma estrela mirim da localidade que busca destruir a família Pines, a dupla de policiais Xerife Blubs e seu suplente Durland (que vivem uma clara união homoafetiva, ponto pra Disney), a rica e mesquinha Pacifica Northwest, e – em minha singela opinião – um dos melhores personagens, Velho McGucket, o louco da cidade. É interessante analisar o desenvolvimento de todos esses personagens ao longo da trama, sendo influenciados por (quase) todos os acontecimentos que presenciam.

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Outro ponto interessante é a maneira como as mensagens são transmitidas. Sim, é uma série de criança, e por isso mesmo busca transmitir certas mensagens para o público alvo. Temos exemplos como o início da amizade de Mabel com Candy e Grenda em Double Dipper, a importância de ter um pouquinho de infantilidade em si em Irrational Treasure, e uma aula de masculinidade em Dipper vs. Manliness.

Mas não se deixe enganar. Como toda boa produção com o selo Disney, Gravity Falls agrada tanto adultos quanto crianças. É aquele desenho para a família inteira, na dosagem certa de seriedade e besteirol, se destacando no meio de outras ótimas animações, como Hora de Aventura e Apenas Um Show. Para os interessados, a segunda temporada já está no meio do caminho, prometendo mais mistérios ainda.

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