Comentário: A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (2017)

Eles não salvaram sua vida. Eles a roubaram.

ghost in the shell

Título: A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (“Ghost in the Shell)

Diretor: Rupert Sanders

Ano: 2017

Pipocas: 5/10

Ground control to Major Motoko!” Lembro-me que tempos depois que o mundo da ficção científica não era mais o mesmo devido a “Matrix” (das Irmãs Wachowski), do qual surgiram muitas influências e referências nas quais Neo e companhia foram inspirados. Dentre elas, a famosa animação em longa metragem “O fantasma do futuro” (“Ghost in the Shell”, 1995), que alguns dizem ser a principal referência de Matrix. Tendo em conta essa influência, seria muito difícil não notar similaridades do filme das Wachowski com “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell”. Sim, tem slow motion, jogos de câmera rápidos e cenas de tiros e lutas. Infelizmente, as semelhanças da adaptação com a obra-prima das Wachowski terminam aqui.

ghost in the shell

É de conhecimento amplo que às vezes as distribuidoras deturpam e às vezes nos irritam com as traduções de títulos de filmes, séries (como ir de “Smallville” para “As Aventuras do Superboy”, por exemplo), livros e afins. No entanto, para este caso, eu achei a adaptação bem colocada, visto que a personagem Major interpretada por Scarlett Johansson (de “Vingadores – A Era de Ultron (2015)”) apresenta-se muito pouco como um fantasma que tem divagações existenciais e questionamentos. Há quem possa falar que há esse questionamento por parte da personagem, porém o ato final do filme contradiz tais divagações.

Esse existencialismo profundo da Major é uma característica que faz do longa animado e suas variações em formato de anime encontrarem-se na lista de obras cyberpunk que apresentam conteúdo além da parte visual. No entanto, nesta versão de “Ghost in the Shell”, ela é retratada como alguém influenciável a ponto de desconstruir a personagem. Sem adentrar em spoilers, cabe dizer que Major tem  seu desenvolvimento jogado fora em diversos momentos da trama.

ghost in the shell

Mesmo com notável fotografia, coerente com o gênero e efeitos visuais bons que vão deixar os fãs satisfeitos visualmente, o filme apresenta um roteiro que tinha melhor potencial, carente de diálogos melhores e uma abordagem final incoerente com o passado e sentimentos passados na tela da personagem. Quando assistimos e esperamos uma adaptação, mesmo com problemas de representatividade e culturais, queremos que a fidelidade ao material original seja mantida e, em caso de alterações, estas são bem-vindas desde que coerentes com a história que a adaptação tenta nos passar.

ghost in the shell

O “shell” – essa casca, corpo vazio – assemelha-se com a ausência de uma profundidade no filme: é só um corpo robótico que apresenta distinção de beleza e ponto. “A Vigilante do Amanhã” é um filme divertido, com boas cenas de ação e tem estilo que adapta bem o mundo cyberpunk de “O Fantasma do Futuro”. Porém, não passa muito disso salvo, quando apresenta algumas boas atuações, como a da grande atriz francesa Juliette Binoche (“A Liberdade é Azul”), interpretando a Dra. Ouelet, e quando Scarlett Johansson, com o potencial bem aproveitado para cenas de ação, como de costume, esforça-se para nos entregar uma Major convincente como a do anime. E por falar nela, a Major me autoriza a parar de criticar.

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Daysio Sidney é metido a cinéfilo e conhecedor da cultura pop, órfão de Lost e Breaking Bad, nerdestino da Paraíba, pseudo-fotógrafo, cozinheiro e estudante de nutrição nas horas vagas.

 

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