Comentário: Doctor Who (9ª Temporada)

É difícil manter um nível de qualidade quando o trabalho se alonga, e fãs de séries sabem bem disso. Muitos questionam se “Lost” precisava ter durado 6 temporadas, se “House” não teria acabado melhor com a saída da Dra. Cuddy, se “Smallville” e “Supernatural”… A lista é tão longa quantos os anos que estas séries se estenderam. Em Doctor Who, este fator é potencializado: é a maior série de ficção científica da História, já somando 52 anos. Mais do que manter a qualidade, continuar inovando após mais de meio século é um desafio – o qual o showrunner Steven Moffat não conseguiu sucesso pleno desde que assumiu a série.

Mas este foi o ano. Em sua quinta temporada como chefe do programa e a segunda do ator Peter Capaldi, Doctor Who foi novamente excelente em sua nona temporada.

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O nono ano da nova série começou em alto nível com “The Magician’s Apprentice”, como dissemos em nossas primeiras impressões, e continuou em “The Witch’s Familiar”, que nos brindou com mais evolução de personagem do que toda a oitava temporada junta. O retorno de Michelle Gomez como Missy acrescentou muito a série, e hoje a personagem é uma das favoritas da audiência (incluindo eu).

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Photo : Copyright © Simon Ridgway, 2015 / +44 (0)7973 442527 / www.simonridgway.com / pictures@simonridgway.com / 20.02.15 : Doctor Who Series 9 Block 2.

Na dupla de protagonistas, um desequilíbrio se acentuou não só nesses episódios, mas nos seguintes. Peter Capaldi domina o personagem do Doctor com um conforto invejável, e seu Doctor se mostra ao mesmo tempo ranzinza, espontâneo e muito badass (buscando tradução para isso, sem sucesso). Seus traços próprios se aprofundam ao longo da temporada, como a preferência por óculos escuros sônicos em vez da tradicional chave de fenda e seu fraco por bebês.

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Enquanto isso, Jenna Coleman tem sua Clara cada vez mais apagada (trocadilho acidental. Ou não). De qualquer forma, Jenna Coleman já estava confirmada para sair da série esse ano; é uma dedução simples imaginar que sua importância foi gradativamente reduzida para diminuir o impacto da ausência de Clara.

Soma-se a isso o fato de que tivemos diversos coadjuvantes de destaque nesta temporada. Além da já citada Michelle Gomez, Maisie Williams (a Arya de Game of Thrones) dá a vida a Ashildr, uma personagem que se desenvolve em um arco que, além de muito interessante de ser assistido, também é crucial para a história principal da temporada. Além dela, retorna também Osgood (Ingrid Oliver), querida dos fãs, em dois dos melhores episódios da temporada (sobre os quais falei aqui).

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Em termos de roteiro, se tornou piada entre os fãs da série que o produtor-executivo/chefão/roteirista Steven Moffat fez um curso de roteiro no último hiato da série. Desde que assumiu o capacete de showrunner, Moffat entregou temporadas irregulares, com tantos episódios excelentes quanto sofríveis – as temporadas 7 e 8, principalmente, sofreram com alguns dos piores episódios dos 52 anos da série. Em 2015, Moffat reapareceu magicamente dotado de uma escrita concisa, menos escalafobética e exagerada, mas ainda complexa – como é seu estilo.

Além disso, foram-se embora os episódios que eram quase filmes contidos e voltaram os episódios em duas partes – e voltaram com força. Dos 12 episódios dessa temporada, 11 foram compartilharam suas histórias, sendo apenas o episódio 9×09, “Sleep No More”, a exceção – curiosamente também sendo o pior episódio, de longe, da temporada.

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Com o fechamento da história envolvendo os episódios 10, 11 e 12 de maneira magistral, a nona temporada de Doctor Who entra facilmente para uma das melhores da história da série, além de consagrar Capaldi como o Doutor favorito de muitos. Caso alguém – ou você mesmo – se pergunte se a série aguenta mais 50 anos ao ver as temporadas 6, 7 e 8, a nona é o que temos mais próxima de uma nota 10.

 

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.