Comentário | Demolidor – 1ª Temporada (2015)

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Foi lançado pelo serviço de streaming online Netflix a série Demolidor, produzida em conjunto com a Marvel. Depois de 7 turbulentos dias de excitação nerd, terminei os treze episódios correspondentes a primeira temporada e vos digo: parem de perder tempo e vejam tudo de uma vez!

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Vamos começar do reinicio do personagem. No final de 2012, depois de nove anos no limbo de personagens mal aproveitados, os direitos do personagem Demolidor voltaram para a Casa das Ideias. O presidente dos Estúdios Marvel, Kevin Feige, declarou em outubro de 2013 não terem planos para o herói, e que “não queremos fazer nada muito depressa, mas esperar para fazer a coisa certa na hora certa” – ou seja, não andarem às cegas.

Porém, exatas duas semanas depois, Disney/Marvel e Netflix anunciaram uma parceria para a produção de quatro séries de heróis “menores” da editora: Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro. Sem perder tempo, contrataram Drew Goddard (Buffy, Angel) para roteirizar e Steven S. DeKnight como produtor executivo. A união deles resultou no tom certo para a série, uma mistura sombria de cinismo e violência digna das revistas escritas por Frank Miller.

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Um dos melhores aspectos da série é não ser uma série de super herói “clássica”, focada em ação e introdução de centenas de personagens das HQs. O ritmo tomado é mais lento e denso, como uma boa série policial, e dá tempo de sobra para o desenvolvimento dos personagens escolhidos a dedo para a primeira temporada. A evolução de Matt Murdock para o “Demônio da Cozinha do Inferno” é feita de maneira gradual, explorando bem os conflitos morais de um personagem com sede de sangue – pela nobre causa de tornar sua cidade um local melhor – e ao mesmo tempo impedido por sua criação, paterna e católica, de matar.

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Mas não é a aparente lentidão da série que tira seu lado selvagem. As cenas de luta, brilhantemente coreografadas, aceleram o coração do espectador ao limite; o uso do “plano-sequência” e da câmera lenta (Zack Snyder manda um abraço) complementam o tema de cada episódio e os torna uma experiência única. A violência extrema, aliás, é algo recorrente. Para aqueles que não tiverem estômago para tal, fechem os olhos e esperem o sangue, as fraturas expostas, as explosões e assassinatos passarem.

As atuações devem ser ponderadas em um parágrafo a parte. Charlie Cox (Stardust, A Teoria de Tudo) está excelente como o advogado cego e defensor de Hell’s Kitchen; Elden Henson (Efeito Borboleta, Jogos Vorazes) está perfeito como Foggy “Abacate da Lei” Nelson; Deborah Ann Woll (True Blood, Ruby Sparks) se mostrou uma boa Karen Page (e que infelizmente reúne nossas expectativas de sair gradualmente para a entrada de Elektra); e Vincent D’Onofrio (Nascido para Matar, MIB: Homens de Preto) É Wilson Fisk – destaque especial para o episódio #8, dedicado completamente ao desenvolvimento do personagem.

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A série deixa um gostinho de quero-mais para os fãs, e a incerteza de quando haverá uma segunda temporada, visto que ainda há quatro séries distintas sendo produzidas (será que o contrato de Charlie Cox cobre uma aparição numa das superproduções da Marvel ou num vindouro filme do amigão da vizinhança?). Discutimos nossas impressões e expectativas para a série no vindouro Resenhas.Cast #3, não deixem de ouvir. Por fim, depois de um terrível Ben Affleck (sim, fiquei até o último parágrafo sem citar o filme diretamente), essa nova adaptação de Demolidor é feita com justiça – esta cega, como o papel bem pede.

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Essa resenha foi escrita por Pedro Parker, membro honorário do Resenhas.Jão e do podcast Pão de Cast.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.