Comentário: BoJack Horseman (2015)

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O fim da segunda temporada de Bojack Horseman confirmou algumas das minhas primeiras impressões e também surpreendeu positivamente em diversos pontos. A isso, provavelmente, se deve a avalanche de críticas positivas e as doses cavalares de elogios (não resisto ao trocadilho) e comentários pondo a série entre as melhores produções originais Netflix (vejam bem, disputando com House of Cards e Orange is the New Black).

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Uma das previsões que eu havia feito era a de que teríamos maior profundidade nas questões familiares de BoJack. Não tivemos a presença massiva de amigos de infância ou dos familiares do cavalo, mas há aparições pontuais de sua mãe que são extremamente marcantes; numa delas, inclusive, promovendo uma das cenas mais tristes de toda a série até então. Aqui é importante fazer um elogio à construção do personagem BoJack, pois ele é muitíssimo bem construído tendo todas as suas ações estúpidas justificadas de alguma forma tragicômica.

Durante toda a segunda temporada, houve um turbilhão de reviravoltas, desde os primeiros momentos em que BoJack assume uma atitude good vibes, e acaba abandonando (porque, né…), até os problemas de relacionamento que ele tem com a diretora do seu filme, que acabam se resolvendo de um jeito estranho (não necessariamente com consequências positivas), culminando num inusitado convite para trabalhar numa peça teatral, proposta bastante promissora para a terceira temporada já confirmada para o ano que vem. Todas essas mudanças de cenário são bem conduzidas e também são muito boas para minar o clima monótono que diálogos extensos e monólogos podem trazer.

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E nesse amontoado de informações malucas, vemos o desenvolvimento de “O Fantástico Mundo de Todd”. O rapaz que mora no sofá de BoJack tem várias aventuras que acontecem simultaneamente às tramas principais. Num primeiro momento, assim como na temporada anterior, quando Todd trabalhava na sua rock opera, parece que nada está realmente conectado (e talvez não esteja mesmo), mas ao fim as pontas se juntam e audiência é obrigada a aplaudir (vontade que o Erik me confidenciou. Sou solidário a causa).

Por fim, três grandes trunfos da segunda temporada de BoJack são simplesmente dar continuidade àquilo que eles já haviam feito com muita competência na primeira temporada. Primeiro, personagens extremamente complexos e multidimensionais convivendo numa realidade caótica. Isso faz com as problemáticas sejam profundas, e expostas da maneira mais complexa possível, entretanto, a série se preocupa tanto em dialogar com questões do nosso tempo que isso não soa forçado ou chato. Os desdobramentos dos relacionamentos entre os personagens são simplesmente um show a parte. Em seguida, temos a ferrenha crítica à indústria cultural, com a brilhante ressurreição de J. D. Salinger, autor de O Apanhador no Campo de Centeio, agora escrevendo o programa de televisão com o melhor nome de todos: “Hollywoo stars, do they know stuff? What do they know? Let’s find out!”, e isso funcionando como pretexto para vermos alguns famosos na animação, o que é sempre interessante.

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Por fim, a série termina com uma esperança tão palpável quanto desequilibrada, já que em se tratando de BoJack a auto-sabotagem é quase certa e isso com certeza deixa o público ansioso pelos próximos episódios. Novamente, aplausos para a produção da série, que soube encerrar a segunda temporada no ponto!

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Hippie com raiva.