Comentário: 13 Reasons Why – 1ª Temporada (2017): uma adaptação fiel e uma abordagem honesta

“Ninguém sabe o que realmente acontece na vida da pessoa. E você nunca sabe como o que faz vai afetar outra pessoa. ”

Que 13 Reasons Why já é um sucesso, não nos restam dúvidas. Emplacou de forma positiva no último final de semana, e isso se deve à abordagem da série, que adaptou com fidelidade o livro homônimo de Jay Asher. E mais do que uma boa adaptação, o destaque do programa foi a maneira honesta com que trabalhou um tema tão delicado: o suicídio.

A série segue a mesma trama do livro: a jovem estudante do ensino médio, Hannah Baker (Katherine Langford), cometeu suicídio e gravou 13 fitas explicando os porquês que a levaram a ao ato, e também um mapa, para o ouvinte ir visitando cada lugar descrito. Cada destinatário, depois que ouvir as gravações, deverá passar adiante para que o próximo culpado venha saber da sua participação. E é através da perspectiva Clay Jensen (Dylan Minnette) que relembramos o passado da moça.

13 reasons why

Um dos pontos positivos da série, mesmo que não tenha sido 100% fiel ao livro – o que não foi um problema – foi o desenvolvimento dos personagens. Na obra de Jay Asher, o leitor não tem uma ideia de como cada um que foi citado nas fitas reagiu. Felizmente, ainda que tenha tornado os episódios mais longos do que deveriam, e repetitivos em alguns momentos, foi muito curioso acompanhar em 13 Reasons Why como os personagens lidavam com a culpa.

13 reasons why

Foi muito mais do que ver o livro sendo adaptado; foi ver cada atuação ali, de forma honesta, fazer valer os seus personagens, e passando o significado deles. Assim como tivemos um melhor aprofundamento com os culpados, da mesma forma se sucedeu para Sr. Baker e Sra. Baker (Brian d’Arcy James e Kate Walsh), os pais de Hannah – que também não são muito explorados no livro. Vê-los lidando com o luto e com a procura pela motivação que levou a filha a tirar a própria vida foi um dos pontos altos da série.

Diferente do livro também, temos o Clay. O personagem aqui ganhou uma liberdade maior, e atuação do seu intérprete faz jus ao que acompanhamos. Questionar através dele e ansiar pelo o que vem a seguir são umas das várias coisas que passamos assistindo a série. Mesmo que algumas atitudes do protagonista tenham sido repetitivas, é compreensível dada as circunstâncias.

13 reasons why

Claro que querer saber o que Hannah tem a contar é uns dos primeiros pensamentos que vêm logo no seu primeiro episódio, mas os questionamentos e reflexão que a vida da moça levanta é de extrema importância. Nunca sabemos como pequenos atos, palavras e escolhas poderão afetar a vida de uma pessoa.

São tantos assuntos delicados que sempre haverá pelo menos um com o qual se identificar – como por exemplo, o bullying. Nas escolas, e fora delas, ele se faz presente e afeta vidas, mesmo que não saibamos como, e nosso silêncio ajuda a mantê-lo mais frequente. Por outro lado, da mesma forma, boas palavras, bons gestos e bons atos fazem diferença na vida de uma pessoa.

13 reasons why

No final, acompanhar e entender tudo o que Hannah passou foi chocante mesmo para quem já leu o livro – e consegue gerar um impacto maior que o mesmo. A Netflix ousou em diversos aspectos e por tratar de um tema frequente de forma realista e arrebatadora – e ainda deixa várias possibilidades para serem trabalhadas numa possível segunda temporada. 13 Reasons Why deverá agradar os fãs e merece ser assistida, pois escancara uma realidade velada que faz parte do nosso cotidiano.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.