Resenha | Com Amor, Simon (2018) – um adolescente “normal”

Apesar de termos cada vez mais obras inclusivas, com personagens de outras etnias, gêneros ou sexualidades, às vezes essas obras acabam se limitando pelas suas “etnias, gêneros ou sexualidades”. Os filmes sobre negros são muitas vezes sobre escravidão e criminalidades; os livros com personagens femininos fortes ainda têm um personagem masculino para fazer a contraparte romântica e salvar a pátria de alguma forma; e os homosexuais passam por dramas familiares que a maioria das pessoas nunca passariam, como suicídios e rejeição. Este não é o caso de “Com Amor, Simon”.

com amor, Simon

Título: Com Amor, Simon (“Love, Simon“)

Diretor: Greg Berlanti

Ano: 2018

Simon é um garoto no ensino-médio que passa por situações boas e ruins, comuns para um adolescente americano.  Ele tem seus amigos – de quem gosta muito e são muito vidrados em redes sociais e café -, e sua amada família, mas dizer isso em voz alta soaria brega. e também, como todo adolescente, Simon tem seus segredos. Porém, o que ele esconde é sua sexualidade. Mesmo sabendo que sua família o aceitaria – seus amigos mais ainda – e que o mundo tem mudado, ele ainda tem medo de expôr que é gay. Simon passa por uma jornada de descobertas e auto-aceitação junto com um garoto que admitiu, anonimamente, para o blog mais famoso da escola, a própria sexualidade. Simon e Blue, começam a trocar emails e se apaixonam, mesmo não sabendo a identidade um do outro. Assim começa a complicada história de uma simples descoberta para Simon e todos à sua volta.

O enredo do filme não tenta ser mais do que ele apresenta: uma simples história de ensino-médio, onde todos os adolescentes têm coisas a esconder, mas não admitem por medo da reação da sociedade. Todos os personagens são normais, inclusive Simon, e esta é a beleza deste filme. Simon não demonstra em nenhum momento trejeitos afeminados ou qualquer vestimenta que o associaria a um esteriotipo de homem gay, ele é um adolescente que parece com qualquer outro e age como qualquer outro. A importância deste filme é mostrar que a homosexualidade é NORMAL.

O drama de “Com Amor, Simon” não se encontra em pais deserdando seus filhos, igrejas queimando boates gays, mas sim nas duvidas que provavelmente todos os adolescentes não-heterossexuais já sentiram em algum momento de suas vidas. Inclusive a vontade de se segurar por mais um pouco, de manter a vida e a percepção de todos a sua volta a mesma só por mais um pouco.

Alguns questionamentos interessantes também são levantados, como: Por que só os “gays” devem se revelar para suas famílias? Por que o hétero é o normal? Isso são questões que permeiam muitas mentes, e é com estas pessoas que o filme quer se conectar. Com meninos e meninas que se sentem que devem ser o que todos os outros acreditam que eles são, que têm medo de que suas vidas mudem – porque de fato mudarão – que sentem que as únicas histórias que os representam são profundas e pesadas que falam de não-aceitação, quando na realidade o mundo mudou. Isso não significa que não haverão desafios, significa que todo ser humano deve lidar com seus próprios desafios. Isto é demonstrado magistralmente no filme, pois todos os personagens têm algo a esconder e querem segurar suas vidas “normais” só um pouquinho mais.

“Com Amor, Simon” nos motiva a ser mais, por não ser nada demais. Por ser algo normal. Por isso ele se conecta com todos. E para todos aqueles que se sentem aprisionados em suas vidas sem mudanças quando seu âmago grita para que sigam em frente, assistam esse filme, pois ele os inspirará para seguir, para dizer a todos quem você é e o que você merece. A comunidade LGBT merece mais histórias simples, leves e lindas como esta. Histórias que inspirem libertação por serem tão parecidas com a vida de qualquer um.

Este filme vai inspirar muitos a se aceitarem, assim como eu, que nunca admiti para o mundo que sou um bissexual, mas depois de ver que mereço uma história como qualquer outra, tenho certeza que todos merecem. Com amor, Caio.

 


Entre no nosso grupo secreto no Facebook e no grupo do Telegram para interagir com autores dos textos e outros leitores.

The following two tabs change content below.

caiosantanasilveira

Professor, fotógrafo, sashônico, randômico e Mestre das Orcas às terças-feiras