Classicologia #20- “… E O Vento Levou” (1939)- Francamente, Minha Querida, Dê a Mínima!

“Existia uma terra de cavalheiros e campos de algodão chamada ‘O Velho Sul’. Neste mundo bonito, galanteria era a última palavra. Foi o último lugar que se viu cavalheiros e damas refinadas, senhores e escravos. Procure-a apenas em livros, pois hoje não é mais que um sonho. Uma civilização que o vento levou!”

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Eu havia prometido a mim mesma que eu não escreveria este post até que eu terminasse de ler o livro. Mas visto que infelizmente o dia tem apenas 24 horas e eu precisaria de pelo menos 56 para colocar a vida em ordem, o Classicologia de hoje se pautará apenas sobre o filme.

Quem me conhece sabe que … E o Vento Levou é um dos meus filmes preferidos! Daqueles que quando apenas mencionado o nome, eu sorrio de orelha a orelha e sinto palpitações. Sim, isso é amor! Infelizmente sou incapaz de lembrar o momento, ou o dia em que eu o assisti, visto que diante de muitos filmes eu possuo esse tipo de lembrança. Mas, o que importa, é que ele me conquistou mais do que eu poderia imaginar.

O que é … E o Vento Levou

Vivien Leigh in Gone with the Wind, 1939
Vivien Leigh como Scarlett O’Hara

O filme é dividido em duas partes, sendo a primeira pautada nas vésperas e durante a Guerra de Secessão, e a segunda ocorre pós-guerra, mostrando a crise e a devastação do sul dos Estados Unidos. O eixo central de … E o Ventou Levou gira em torno de Scarlett O’Hara (Vivien Leigh), protagonista e anti-heroína que é apaixonada por Ashley (Leslie Howard), o qual acaba se casando com Melanie (Olivia De Havilland). Scarlett enfrenta com muito esforço todas as consequências que a guerra trouxe para sua propriedade, chamada de Tara. E uma das reviravoltas que acontecem com ela, diz respeito a Rhett Butler (Clark Gable), homem que ela desprezava na primeira parte do filme, mas que acaba vindo  a ser seu esposo. Um romance conturbado devido à personalidade fortíssima de ambos.

O que “o vento” nos trouxe…

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Cena que contou com a participação de mais de mil figurantes

… E o Vento Levou é um daqueles filmes que você já nasce sabendo que existe. Não adianta negar, seja como filme, como livro ou mesmo como ícone na cultura pop, ele é, seguramente, o maior sucesso que o mundo já viu. E falar sobre uma obra como esta pode, muitas vezes, parecer “chover no molhado”. Porém é importante sempre relembrar algumas coisinhas e deixar bem claro o porquê de tanto sucesso.

O filme foi baseado em um romance homônimo lançado por Margarett Mitchell em 1936. Escrito em um momento de recuperação da autora, quando lançado ganhou um premio Pulitzer e o National Book Award. Sua adaptação para o cinema ficou creditada apenas ao diretor Victor Fleming, contratado para terminar o filme que havia sido começado por George Cuckor. Mesmo após ser demitido, Cuckor ainda ensaiava às escondidas as atrizes Vivien Leigh e Olivia DeHavilland, para irritação de Fleming, afinal, por detrás de um clássico, sempre há um “barraco”.

O período de pré- produção do filme durou dois anos. O que mais atrasou foi a escolha do elenco principal, que teve Gary Cooper como primeira escolha para interpretar Rhett Butler, e de Bette Davis a Katarine Hepburn como convidadas para ser Scarlett O’Hara. Inclusive, a escolha para mimada Scarlett contou ainda, com mais 1400 mulheres entrevistadas para o papel.

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…E o Vento levou foi o primeiro filme a cores (um dos pioneiros no uso do Technicolor) a ganhar o Oscar de Melhor Filme, além de Hattie McDaniel, intérprete da simpática Mommy, ter sido a primeira atriz negra a ganhar o prêmio da Academy Awards. Entretanto, devido ao preconceito racial extremo daquela época, a atriz não pôde se sentar, durante a cerimônia, com os outros integrantes do elenco.

Aliás, a obra em si causou e ainda causa certa polêmica pela forma como a escravidão é retratada, pois não há, em nenhum momento, críticas quanto a isso. Ao contrário do papel feminino, que através de Scarlett O’Hara mostra seus primeiros passos de independência por meio do jeito mimado e arrogante da protagonista na primeira parte do filme, e depois como uma mulher que luta pela sua sobrevivência numa terra devastada pela guerra ( mesmo nessa fase ela ainda conserva seu jeito “birrento”). A obra faz ótimas ironias quanto aos costumes sulistas e como a Guerra foi responsável por certas mudanças de conduta.  Scarlett é usada como metáfora para isso. Apesar de sempre ser rebelde, no início do filme ela acatava os costumes e a “submissão” que existia. Já na segunda parte ela “toma as rédeas” de sua terra e cumpre um papel que jamais seria dela em circunstâncias anteriores.

… E o Vento Levou deve ser assistido porque…

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Esse filme já nasceu com as palavras “ícone”, “clássico” e “obrigatório” estampadas em sua imagem. Uma obra grandiosa e grande, afinal o livro possui 955 páginas e o filme tem duração de quase quatro horas.

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Minha cena preferida!

Mas não é para menos. Um romance épico recheado de questões sociais e com as melhores frases do cinema. A junção de atores espetaculares deu o toque mágico que a obra precisava no cinema. Clark Gable era o galã da época e conhecido pelo seu carisma, além de ser ótimo ator. Vivien Leigh era um rosto ainda desconhecido na América, mas já era consagrada por suas interpretações no teatro, na Inglaterra. … E o Vento Levou é um ícone do cinema, da literatura e forte influência na cultura popular. Não precisa ser amado, mas respeitado, sempre!

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“Francamente, minha querida, eu não dou a mínima!”- famosa frase de Rhett Butler para Scarlett O’Hara
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