Classicologia #22- Jules e Jim (1962)- Amor e Tragédia com Dose de Comédia

Jim: – Quero te ouvir!

Catherine: – Para que? Para me julgar?

Jim: – Deus me livre!

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Em setembro do ano passado fui à exposição sobre a obra do diretor François Truffaut em São Paulo, no MIS, Museu da Imagem e do Som. O nome dele e de suas obras sempre eram citados em qualquer conversa cinéfila que eu tinha, porém eu só conhecia o filme Os Incompreendidos (1959). Não que conhecer apenas esse filme seja motivo de vergonha, já que é considerado uma de suas obras primas! Mas como uma pessoa tão apaixonada por cinema não conhecia mais filmes do aclamado diretor francês?

Essa pequena decepção comigo mesma aumentou depois que fui à exposição. Aquilo era um mundo mágico, lindo! E de todos os filmes lá apresentados, um me chamou atenção muito mais do que os outros. O filme em questão é Jules e Jim, de 1962, o qual eu fui rapidamente buscar para assistir assim que cheguei em casa. Minha reação não poderia ter sido outra: idolatria eterna!

Jules e Jim são dois amigos…

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Que se apaixonam por Catherine (Jeanne Moreau). Ela acaba se casando com Jules (Oskar Werner), mas depois que os amigos lutam na Segunda Guerra e retornam, ela começa a nutrir amor por Jim (Henri Serre).

A essência de Jules e Jim

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O próprio François Truffaut disse que “Jules e Jim é um sonho: Todos nós sofremos diante do aspecto provisório de nossos amores e esse filme nos leva justamente a sonhar com amores definitivos”. O filme é uma representação daquilo que muitos de nós temos medo: perder nossos amores. Amor é uma palavra que admite usos diversos e na relação entre os três protagonistas, essa palavra cabe mais para caracterizar a amizade que existe entre os três do que propriamente uma relação homem x mulher. Ao observá-los, vemos que nada daria certo caso a amizade não fosse tão forte. Catherine é a representação tanto da ousadia jovem quanto da melancolia madura. Se no início do filme a personagem era extrovertida, fantasiava-se de homem e tinha certa leveza no olhar, entretanto, com o passar de sua relação com Jules e com Jim, vemos que ela sempre buscou preencher um vazio. Isso se mostra no fato dela sempre ficar na oposição entre não se prender a nenhum dos dois, e depois tornar-se dependente dos amigos. Catherine é ao mesmo tempo odiada por “parecer acabar com uma amizade”, e fazer os dois amigos “de gato e sapato”, mas também é digna de dó, por ser uma mulher aparentemente livre, mas que vive com o peso de estar em eterna busca de algo que ela nunca saberia realmente se foi ou seria dela, os amigos Jules e Jim!

Jules e Jim deve ser assistido porque…

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Além de ser uma maravilhosa história de amor, é um filme que, metaforicamente, representa a liberdade sexual feminina e a rebeldia jovem dos anos 50 e 60, confirmando, assim, o objetivo da Nouvelle Vague, movimento do cinema francês que contestava a sociedade e política da época.

Jules e Jim é uma trágica história de amor mostrada, em alguns momentos, com certo tom de comédia pastelão. Talvez um jeito que Truffaut achou de transformar aquilo que parece irreal, em algo mais humano. Afinal, somos constituídos disso tudo, amor, tragédia, comédia.

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