Coluna | Classicologia #16 – “The Rocky Horror Picture Show” (1975) e o hedonismo bizarro

“Não sonhe, seja!”

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Junte músicas “grudentas”, figurinos extravagantes e uma história bizarra cujo protagonista é um travesti. Sim, isso existe e se chama “The Rocky Horror Picture Show”! Jim Sharman dirigiu o filme, que é adaptação da peça The Rocky Horror Show, cuja autoria é do próprio Jim e de Richard O’Brien. O filme, em seu lançamento, causou algumas controvérsias chegando a ser banido em alguns países, e tendo uma má recepção onde foi liberado. Entretanto, após algum tempo sua originalidade foi notada e, mesmo após 40 anos de seu lançamento, ele ainda é reproduzido desde seu lançamento em um cinema em Munique, na Alemanha, fazendo disso um recorde. Além disso, em muitas exibições do filme ocorrem os chamados shadowcast – ou seja, um grupo de fãs fica encenando o filme enquanto ele passa na tela, criando duas representações simultâneas.

The Rocky Horror Picture Show” conta a história…

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Do casal Brad Major (Barry Bostwick) e Janet Weiss (Susan Sarandon) que resolvem viajar para convidar o Dr. Everett Von Scott (Jonathan Adams) para o casamento deles. Porém, durante a viagem, numa noite de tempestade, o carro deles quebra e eles resolvem pedir ajuda em um castelo que havia ali perto. Chegando lá, havia uma grande festa macabra organizadapelo cientista transexual Dr. Frank-N-Furter (Tim Curry).

As inspirações…

Como diria Lavoisier, nada se cria e tudo se transforma! “The Rocky Horror Picture Show” foi produzido recebendo várias influências, sendo a principal delas a literatura gótica do século XVIII. Assim como nesse estilo literário, o filme, apesar de tratar tudo de forma sarcástica e humorística, tem ambientação em um castelo, clima de suspense e mistério, sensações forjadas (geralmente a personagem feminina grita e/ou chora em excesso) em excesso de tristeza e horror.

O castelo de Frankenstein do filme de 1931.

E essa literatura aparece novamente quando o Dr. Frank-N-Furter exibe sua criação, o Rocky, uma referência mais do que nítida ao clássico Frankestein, escrito por Mary Shelley em 1818. Além da referência óbvia no nome do doutor, os seus monstros também se referem um ao outro em sua criação. Além disso, “The Rocky Horror Picture Show” tem caracterização parecida com a dos filmes mudos dos anos 20, principalmente com os filmes de terror, como “O gabinete do Dr. Caligari”.

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O longa também possui figurinos inspirados em produções de ficção científica, como “O dia em que a Terra parou” (direita) e “Flash Gordon” (esquerda).

 

E os inspirados…

A junção de todos os elementos presentes em The Rocky Horror Picture Show fizeram dele uma obra original e cultuada, que além de ter recebido várias influências, também inspirou e continua inspirando a cultura pop. Em 2014, a empresa de maquiagens, M.A.C, lançou uma linha baseada no musical, cujo símbolo utilizado para as embalagens era a boca com batom vermelho, marca do filme.

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No filme “As Vantagens de Ser Invisível“, de 2012, os personagens participam da encenação teatral de “The Rocky Horror Picture Show”.

Também foi inspiração pra o quinto episódio da segunda temporada do seriado “Glee”, em 2010.

Trilha sonora

As canções glam rock foram escritas por Richard O’Brien, e a trilha sonora de “The Rocky Horror Picture Show”, alcançou, na época de seu lançamento em 1975, a posição #49 na Billboard 200. A trilha ganhou duas edições especiais, uma em 2000, intitulada 25 Years of Absolute Pleasure, e em 2011, The Rocky Horror Picture Show Complete Soundtrack: Absolute Treasures 2011 Special Edition, onde apareceram músicas descartadas das outras versões.

 

The Rocky Horror Picture Show” deve ser assistido porque…

Foi capaz de juntar elementos góticos, ficção científica, música, temas polêmicos, e tratar a sexualidade de maneira divertida, evocando o hedonismo, uma busca sem limites pelo prazer. É simplesmente hipnotizante! As músicas grudam, os passos de dança são contagiantes (confesso que nas duas vezes que assisti fiquei tentando imitar a coreografia da música Time Warp), os figurinos extravagantes são facilmente reconhecidos e uma ótima inspiração para festas a fantasia, além de ser uma prova viva de superação. De filme rechaçado a clássico do cinema trash/cult. É o show de horror mais divertido e amado!

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Classicologia é a coluna de Nay Berger (me, myself and I!), e aqui tenho a intenção em tirar aquele “cheiro de poeira” dos grandes clássicos do Cinema mundial.

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