Classicologia #11: “Assim caminha a humanidade” (1956)- a América em todos os sentidos

“-Dinheiro não é tudo, Jett!

-Não quando você já o tem…”

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Baseado no livro da autora Edna Ferber, foi lançado em 10 de outubro de 1956 Giant, ou em nosso querido português, Assim caminha a humanidade, possui um elenco mais do que estelar, supremo, divo (ok, parei!), contando com nada mais nada menos que Elizabeth Taylor, Rock Hudson e James Dean! O filme possui o legado de ser uma das maiores representações da luta anti-racista, tornando-se um marco na história do cinema e fonte de referência em diversos meios.

Enredo

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Assim caminha a humanidade começa quando Bick (Rock Hudson) se apaixona por Leslie (Elizabeth Taylor) ao comprar um cavalo do pai dela. Os dois se casam e vão morar no rancho dele, no Texas. Lá, Jett (James Dean), um peão, leva Leslie para conhecer o rancho e ela vê a triste situação das famílias mexicanas que vivem em situação precária. O enredo começa a se aproximar de seu clímax quando Luz (Mercedes McCambridge), irmã de Bick e cunhada de Leslie, sofre um acidente de cavalo e morre. Bick fica surpreendido ao saber que Luz deixou, no testamento, sua parte das terras para Jett e tenta a qualquer custo comprá-las, mas sem sucesso. Jett acreditava que ficaria rico com elas e tem certeza disso após uma visita de Leslie. Ao sair da casa do ex-peão, ela pisa num buraco e Jett vê que seu sapato fica sujo de uma lama oleosa e ele, então, começa a explorar o terreno até o dia em que jorra petróleo. A partir disso, a rivalidade entre Jett e Bick aumenta e o novo magnata do petróleo continua sofrendo com seu alcoolismo e amor não correspondido por Leslie.

Os astros, estrelas e curiosidades

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James Dean

Assim caminha a humanidade ficou envolvido em curiosidades e tinha grande atenção mesmo antes de seu lançamento, um dos motivos: James Dean. O astro do cinema, representação e inspiração para os “rebeldes sem causa” faleceu durante as gravações do filme. Ele se envolveu em um acidente automobilístico fatal, e a curiosidade dos espectadores acerca da atuação do jovem falecido eram inúmeras. Seu trabalho, o último, em Assim caminha a humanidade foi bastante elogiado, rendendo-lhe, inclusive, uma indicação póstuma ao Oscar de 1957 na categoria de Melhor Ator. James tinha apenas 24 anos quando morreu, sendo imortalizado por sua vida passageira.

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Elizabeth Taylor

Outra estrela que potencializou o sucesso do filme foi Elizabeth Taylor. Liz, como também é conhecida, era uma atriz altamente aclamada, seja por suas atuações, seja por sua vida pessoal sempre muito comentada. Ela já era elogiada por sua atuação em outro clássico, Um lugar ao sol de 1951, cujo diretor era o mesmo de Assim caminha a humanidade, George Stevens. O papel de Liz Taylor em Giant havia sido oferecido anteriormente, a outra grande estrela, Grace Kelly. A estreia do filme foi adiada alguns meses devido a gravidez de Liz Taylor, e quando lançado, obteve o mérito de ser o filme com a maior bilheteria da Warner Bros sendo esse recorde superado por Superman- O filme em 1978.

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Rock Hudson

Liz Taylor disse em entrevistas que durante as gravações se interessou pelo ator Rock Hudson, mas que ele estava muito mais interessado em James Dean do que nela, revelando, assim, a bissexualidade do ator que faz o papel de seu marido, Bick Benedict.

Referência histórica

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Assim caminha a humanidade é um retrato dos Estados Unidos no início do século XX. Essa época foi responsável em transformar os EUA em uma das maiores potências econômica, política e militar do mundo. A exploração do petróleo, crescente devido à industrialização, e a grandiosidade dos ranchos do sul são background histórico para a superprodução.

Além disso, o filme aborda o preconceito que os texanos tem pelos mexicanos, utilizando a referência histórica da Batalha do Álamo ocorrida em 1836. Essa batalha ocorreu sobre a Missão de Álamo, na atual cidade de San Antonio no Texas. Ali havia um forte, onde missionários espanhóis catequizavam os indígenas a fim de convertê-los ao cristianismo.

O local onde ficava essa missão pertencia ao México, porém alguns colonos americanos se estabeleceram nestas terras para cultivar. O local começou a ser alvo de interesse do governo americano, e com medo da perda do território, o governo do México promoveu uma campanha militar culminando na famosa Batalha do Álamo. Durante a batalha os colonos ficavam dentro do forte e acabaram todos morrendo sendo vencedores os mexicanos. Mas, após algumas outras lutas, os colonos acabaram ganhando e com o tempo o Texas passou a fazer parte dos Estados Unidos.

Desta forma, fica mais fácil entender a situação dos mexicanos representada pelo filme, onde vivem na miséria, sem condições dignas de sobreviverem. O preconceito que os texanos tem pelos mexicanos fica mais explícito e se torna um problema mais pessoal quando Jordy, filho de Leslie e Bick decide se casar com uma imigrante mexicana. O pai fica furioso e outras pessoas próximas também não veem isso com bons olhos, causando alguns conflitos. O final do filme é uma reflexão acerca da família e da aceitação da moça.

Assim caminha a humanidade deve ser assistido porque…

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É um filme que consegue unir um elenco grandioso em suas melhores interpretações com temas que nos remetem a fatos verídicos, ou seja, além de conseguir termos momentos de entretenimento, é possível aprender um pouco sobre a história do Texas e, consequentemente a dos Estados Unidos.  Apesar de ser longo e em alguns momentos parecer um pouco trivial, é melhor não se enganar. Ele possui uma fotografia magnífica que evidencia o território do Texas e as beleza dos atores. Além disso, Liz Taylor faz e acontece nesta obra quando  em uma cena briga com o marido pois defende a participação das mulheres em assuntos políticos, a atriz consegue passar ao espectador com soberania a força que Leslie possui!

Enfim, o filme  Assim caminha a humanidade, que nada tem a ver com a música/álbum do cantor brasileiro Lulu Santos, é uma representação da América em todos os sentidos: desde a história até a imortalização dos mitos! Não apenas belo, mas também reflexivo, afinal, um filme cuja tradução do título é tão filosófica jamais poderia decepcionar!

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Classicologia é a coluna quinzenal de Nay Berger (me, myself and I!), e aqui tenho a intenção em tirar aquele “cheiro de poeira” dos grandes clássicos do Cinema mundial.

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