Classicologia #10- Casablanca (1942)- Nós sempre teremos este filme!

Nota: este texto foi redigido antes das tragédias da última sexta-feira, 13/11/15. A equipe do PontoJão se sensibiliza com os atentados em Paris e sinceramente esperamos que as famílias possam ser confortadas de alguma forma. “We’ll always have Paris”.

“Louie, acho que esse é o início de uma bela amizade.”

superthumb

Existem alguns filmes que já nascemos sabendo que existem. A popularidade e a riqueza que eles possuem faz com que nós possamos os conhecer sem nem mesmo tê-los visto. Seja pelas cenas, pelos diálogos ou apenas pelo nome, eles enraízam em nosso inconsciente de forma genial. Um desses filmes é o clássico Casablanca (1942) considerado pelo AFI (American Film Institute) como o 3º melhor filme de todos os tempos, ficando atrás apenas de Cidadão Kane (1941) e Poderoso Chefão (1972). O filme, dirigido por Michael Curtiz, é baseado numa peça chamada Everybody Comes To Rick’s (“todo mundo vem ao café de Rick”).

Casablanca é uma história sobre…

sam-dooley-wilson-e-rick-humphrey-bogart-em-cena-de-casablanca-1338236202933_615x300

Rick Blaine (Humphrey Bogart) é dono do Rick’s Café, uma casa noturna badalada situada na cidade de Casablanca, no Marrocos, local que também é ponto de fuga para quem quer fugir da Guerra (a história do filme se passa durante a 2ª Guerra Mundial). O enredo se desenrola a partir do momento em que Ilsa (Ingrid Bergman) aparece nesse café junto com seu marido Victor Lazlo (Paul Henreid), o casal, necessitando de documentos para fugir à América. Porém, Rick e Ilsa são atordoados por lembranças já que foram grandes amantes no passado, história de amor que fora vivida em Paris em plena invasão alemã. Rick, então, fica divido entre razão e emoção e Ilsa se vê desolada entre seus dois amores. No final, Rick aparentemente abre mão de Ilsa, que embarca num avião junto com seu marido Victor.

Casablanca: temáticas que o tornaram um clássico!

casablanca-3

Casablanca tem como pano de fundo a 2ª Guerra Mundial. A história de amor entre Rick e Ilsa foi ambientada durante a invasão nazista na França, que culminou no começo dessa Guerra. Ele é visivelmente um filme político, já que ele não aborda a questão nazista como uma referência ao passado, o filme realmente foi gravado nessa época. A tensão da guerra é demonstrada de forma explícita mas ao mesmo tempo metafórica. O fato desse tema ser background para uma história de amor complicada mostra como poder, desejo e desastre andam lado a lado numa linha, muitas vezes, tênue.

E essa mistura de dois temas diferentes pode ter culminado no sucesso que o filme é. Segundo o próprio diretor de produção da Warner, Hal B. Wallis, o filme ”tinha romance para as mulheres e política para os homens”, ou seja, ele incorporou elementos que apesar de estereotipados, não o deixaram com essa característica; o público não foi limitado. Isso ajudou na perpetuação do filme a longo prazo, já que quando lançado, Casablanca não foi cultuado, sua importância foi aparecendo ano após ano. Apesar de ter sido ganhador de três Oscar nas categorias de melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro adaptado, na época ele não teve a relevância que tem hoje, seja por ter um tema não muito agradável ao momento (Guerra) ou simplesmente porque as coisas só se tornam importantes, filmes no caso, após muitas visualizações e reflexões, de modo que se possa analisá-los melhor assim que “saem” do mainstream.

Marcas registradas

A atriz Ingrid Bergman
A atriz Ingrid Bergman

Todo grande clássico possui algo que faz com que qualquer pessoa, seja ela admiradora de cinema ou não, lembre-se sempre dele! Como dito no início do post, existem alguns filmes que já nascemos sabendo que existem. Casablanca possui algumas outras coisas, além dos temas, que sempre são diretamente referenciadas a ele.

A primeira dessas “coisas” é a atriz Ingrid Bergman, praticamente um colírio, seja por atuação ou beleza, há uma curiosidade: a atriz sueca tinha Casablanca como um filme secundário. Durante as gravações ela estava com pressa em terminá-lo e vivia fazendo e recebendo ligações de negociação para trabalhar na adaptação cinematográfica do clássico da literatura Por quem os sinos dobram. Ironicamente, ou não, seu papel mais conhecido é justamente no nosso homenageado de hoje.

Outra coisa que marcou Casablanca foram os diálogos que deram a ele uma posição mais elevada, já que poucos filmes podem se gabar de possuir tantas frases perpetuadas pelo público. O diálogo repleto de ironias e metáforas se encaixa perfeitamente com a história e com a interpretação majestosa dos atores fica bem mais fácil lembrar delas sempre.

“O mundo está desmoronando e escolhemos esta hora para nos apaixonarmos.”
“Nós sempre teremos Paris.”
“- Te verei esta noite?
-Não faço planos a longo prazo.”
“Isso foi um canhão ou era meu coração batendo?”

Casablanca deve ser assistido porque…

casablanca-20120223-39-size-598

Tem de tudo! Política, amor, atuações maravilhosas, fotografia e figurinos exuberantes, diálogos marcantes, roteiro bem construído, enfim, motivos não faltam. E considere, que apesar de um pouco lento e talvez maçante para quem não gosta de filmes assim ou não tem costume com clássicos, ele é e sempre será uma grande referência dentro do cinema. Referências que serão muito mais bem assimiladas se você assistir ao filme. Afinal, querendo ou não, gostando ou não, nós sempre teremos Casablanca!

ahhhh... <3
ahhhh… <3

Classicologia é a coluna quinzenal de Nay Berger (me, myself and I!), e aqui tenho a intenção em tirar aquele “cheiro de poeira” dos grandes clássicos do Cinema mundial.

The following two tabs change content below.