Comentário: Chewing Gum

A cada ano que passa, o streaming ganha mais força pelo mundo, e nessa mídia um dos maiores destaques é a Netflix, uma das grandes produtoras de conteúdo audiovisual atualmente. Por produzir muito conteúdo original, e vários deles serem grandes sucessos de público e crítica, é normal que alguns passem despercebidos e tenham pouca repercussão. Muitas séries muito boas da produtora são desconhecidas do grande público, como Lovesick ou Cuckoo, e, no dia 31 de outubro de 2016, mais uma dessas séries estreou pelo serviço: Chewing Gum.

A comédia Chewing Gum acompanha a vida de Tracey (Michaela Coel). Uma cristã londrina de 24 anos, que, por ter sido criada por sua mãe extremamente religiosa, sempre foi bastante reprimida sexualmente. E, agora, junto a sua amiga Candice (Danielle Walters), muito mais experiente do que ela, inicia sua jornada em busca da tão sonhada perda de sua virgindade.

Chewing Gum

“Hilária” é a palavra que posso usar para definir a série em seus 6 episódios. De um humor inicialmente estranho, e até exagerado, em poucos minutos já estamos torcendo por Tracey. Michaela Coel, consegue criar perfeitamente uma protagonista que flutua bastante entre os esteriótipos de menina inocente e o de mulher sensual, com altas doses de exagero, sem parecer ridícula. É bastante difícil não rir com as caras e bocas de Tracey durante as cenas.

A história em si não é nada inovadora, mas isso nunca se torna um problema. O humor ácido e desbocado é cheio de críticas a religião, a preconceito e até a forma de as pessoas verem o sexo. Sempre garantindo muitas risadas, como quando a irmã de Tracey, tão religiosa quanto sua mãe, acessa um site pornográfico pela primeira vez (Uma das cenas mais engraçadas dessa primeira temporada).

A série também faz referência a vários elementos da cultura pop como a Oprah Winfrey, CSI, 50 Tons de Cinza e principalmente à Beyoncé. A relação de Tracey com Beyoncé é um grande trunfo da série, a personagem vê a cantora como uma espécie de entidade (inclusive orando à cantora quando também o faz com Deus). Essas referências, juntas ao fato de Tracey quebrar a quarta parede em inúmeros momentos, além de garantir boas risadas, são muito eficazes na imersão a história.

Chewing Gum
“Adorei, estou parecendo a Beyoncé”

Irreverente e bastante engraçada, Chewing Gum é uma ótima pedida pra quem quer começar uma nova comédia. Fácil de ver com seus poucos episódios de 20 minutos, a série é bastante eficaz em sua única pretensão: fazer rir. E algumas risadas não fazem mal a ninguém, não é mesmo?

The following two tabs change content below.

Lucas Bulhões

Estudante de programação que odeia programar e que se arrisca a escrever nas horas vagas. Sonha em conhecer todo mundo sem ao menos conhecer a si mesmo. Libriano não praticante.