Segundas Impressões #18: Chaos A.D.

Ao menos 3 e cada 5 músicos internacionais responderiam “Sepultura”, junto a outras coisas, quando perguntados sobre o que conhecem de música brasileira. Chaos A.D. talvez seja o embrião dessa identificação da banda com sua brasilidade, pois, apesar do Thrash Metal ser um estilo essencialmente gringo e das letras de Max Cavalera serem cantadas em inglês, é inegável que há um jeito brasileiro de fazer heavy metal e o Sepultura é muito responsável por isso.

Chaos A.D.

Chaos A.D. foi o quinto disco do Sepultura. Lançado em 1993, foi gravado no Reino Unido e produzido por Andy Wallace. O nome do disco é um jogo com a expressão “A.D.”, Anno Domini, que é latim para “Ano do Senhor”. A sigla é usada para designar o ano da vinda de Cristo em diante. Em resumo, o nome do disco seria algo como “Caos Depois de Cristo”, título motivador para que uma sequência de críticas fossem feitas. Não escapa ninguém, sociedade civil, polícia, governo, religião, mídia e por aí vai. O disco também marca uma mudança no som da banda, já que elementos mais “grooveados” foram adicionados à tradicional porradaria e também os ritmos brasileiros vindos da bateria de Igor Cavalera que diz ter dados os primeiros passos na música tocando percussão em estádios de futebol no meio da torcida organizada do Palmeiras.

Primeiras Impressões de Chaos A.D.

Assim como a maioria das bandas da minha adolescência, Sepultura foi uma das eu peguei para ouvir porque as pessoas da minha família diziam ser ruim (lógica reversa de adolescente babaca). Além disso, lembro de ter lido uma matéria bem completa na Roadie Crew (revista que comprei e li religiosamente por um ano) e a banda me ganhou primeiramente pela história. Para mim, na época, aprendendo guitarra e tocando com um pessoal, ver caras que começaram a tocar da maneira mais precária possível e acabaram se tornando uma referência musical de tanta importância, chegando a serem apadrinhados por Ozzy Osbourne, era inspirador e cativava minha curiosidade.

Chaos A.D.

Assim, indo para o som, não dava para não surtar com a ligação da bateria com os riffs nervosos e letras gritadas a plenos pulmões. Saber que aquilo era brasileiro era um outro fator que fazia a diferença. Eu já era acostumado com bandas um pouco mais pesadas, mas, talvez, o Sepultura tenha representado minha entrada de vez no thrash metal. Então, digamos que ali em Chaos A.D. existia tudo que eu precisava/queria na época: um maluco tocando uma guitarra só com as quatro cordas mais graves e gritando pra caramba, outro doido tocando bateria de maneira animal e uma pá de mensagens revoltadas/subversivas.

O que Mudou?

Em relação à qualidade do álbum nada mudou. Os riffs continuam matadores e junto com a bateria é praticamente impossível não bater cabeça. Contudo, ouvindo o podcast CMM (grande motivador desse texto) não pude deixar de concordar com os caras que, apesar de algumas mensagens permanecerem perturbadoramente atuais, existe um “quê” de ingenuidade e infantilidade em alguns momentos, como em “Biotech is Godzila”.

Apesar disso, é um grande álbum para amantes da música pesada e também para amantes da música brasileira, já que, como dito anteriormente, apesar das canções serem cantadas em inglês, a ambientação e o jeito de fazer música aqui é totalmente BR. Além disso, como dizer que Kaiowas não é um fino artigo da história musical desse país?

 

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