Resenha | “Channel Zero: No-End House” (2017) – uma vida sem emoção

Você já se perguntou como seriam as nossas vidas sem a memória? Responsável por reter informações – sejam elas por imagens, objetos, lugares, músicas -, é através dela que encontramos as nossas recordações. Boas ou ruins, prazerosas ou constrangedoras. Talvez, em detalhes, essas lembranças que se manifestam de diversas formas são também a razão pela qual nos sentimos vivos, afinal, o que seriam as experiências sem a memória? Esse é o mote de “Channel Zero: No-End House”.

Este texto contém spoilers de “Channel Zero: No-End House”

Depois da horripilante e bizarra primeira temporada, “Channel Zero: No-End House” retorna com muito mais bizarrice e terror. Baseada na creepypasta escrita por Brian Russell, “A Casa Sem Fim” é a fonte de inspiração da vez para o criador Nick Antosca. Na trama, acompanhamos Margot Sleator (Amy Forsyth) que, depois de reatar com uma antiga amizade, enfrenta o luto pela recente morte de seu pai. Graças ao convite de seu amigo J.D (Seamus Patterson) visitar a misteriosa Casa Sem Fim parece ser o momento perfeito para distração.

A casa não tem um lugar fixo. Ao aparecer em determinada cidade, uma onda de teasers, mensagens e postagens no Instagram chamam a atenção das pessoas a fim de conferir o atrativo desconhecido que promete uma experiência alucinante e sem volta. Ao visitar a casa, os curiosos devem passar por seis quartos, cada um reservando uma surpresa, quem conseguir chegar até o último e passar por ele pode nunca mais ser visto.

Veteranas no mundo das séries, quando falamos no gênero de terror, é muito fácil citar as falecidas – ou quase mortas – “Sobrenatural”, “The Walking Dead“, “American Horror Story” ou as que vieram cair no gosto do público, como “The Exorcist“. Olhando para “Channel Zero: No-End House”, percebe-se um estilo diferente para acrescentar um gênero que mal consegue inovar no cinema e que cada vez mais se mostra batido. Perante esse fardo que o gênero carrega, Nick Antosca aposta com ousadia e representa com a sua antologia sem ser oca.

De fato, “No-End House” carrega uma familiaridade com o seu ano anterior, com “Candle Cove”. Talvez, a edição e o ritmo lento sejam aspectos que causem incômodo para os que buscam sustos fáceis, porém, vale ressaltar que “Channel Zero” não se preocupa com isso e muito menos precisa para ser tenebrosa e aterrorizante. A série obtém esse feito fazendo o que tem de melhor: a bizarrice, sem economizar, podendo chocar à medida que explora sua mitologia.

O primeiro episódio pode causar uma certa dúvida para quem criou expectativas e esperava que cada capítulo fosse focar nas surpresas dos quartos, visto que, de cara, Nick Antosca tratou de apresentar cinco dos seis quartos numa estreia muito boa. O que faz questionar: “ O que resta para os próximos episódios se a aparente premissa já foi abordada? Felizmente, “A Casa Sem Fim” garante bem mais que joguinhos psicológicos em cada quarto.

A casa é uma realidade alternativa que funciona como um reflexo da mente quem a visita. As fraquezas são exploradas juntamente com traumas, amarguras, decepções, sentimentos e ambientes. Seja como for que a pessoa esteja, a casa se alimenta das memórias reproduzidas, assim, as memórias se alimentam de memórias e deixam essas vidas vazias e dispersas fadadas a viverem sem emoção, sem o que lhes tornava vivos.

Channel Zero: No-End House

Se “Candle Cove” não foi capaz de agradar, “Channel Zero: No-End House” está aí para provar que o terror da antologia é real. Com seu próprio estilo misturando ficção científica, foi conquistando crítica e público, e garantiu mais duas temporadas do seu horror bizarro.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.