CBGB: O Berço do Punk Rock (2013)

  “There’s something there.

There’s definetely something there”

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Título: “CBGB: O Berço do Punk Rock”

Diretor: Randall Miller

Ano: 2013

Pipocas: 7/10

Devo confessar que sou apaixonado por rock. Não, não é uma declaração de um adolescente de 15 anos que só ouviu “AM” e “Hail to the King”, é uma declaração de alguém que respira o bom e velho ritmo originário do Blues e procura sempre conhecer mais e mais do estilo. No meio de musicais e documentários sobre o estilo, os semi-deuses do rock nos presentearam com um filme ainda desconhecido, mas que engatou o coração desse humilde colunista. Hoje vamos falar sobre “CBGB: O Berço do Punk Rock”.


Deixe-me explicar a História antes da Estória do filme. O CBGB & OMFUG (Country, Bluegrass, Blues and Other Music For Uplifting Gormandizers) foi um bar fundado em 1973 por Hilly Kristal em Manhattan, e desde seu início passou por problemas monetários. Eram inúmeros os bares com música ao vivo em Nova Iorque na década de 70, e a concorrência chegava a ser desleal. Aliás, quem gostaria de ficar em um local apertado, fedido e inseguro para ver bandas desconhecidas? E mais, existia na cidade uma lei que obrigava todos os locais em que as bandas que fizessem covers de artistas conhecidos pagassem pelo uso das músicas! Não parecia o melhor cenário para prosperar, certo?

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Foi ai que Bill Page e Rusty McKenna, dois funcionários do CBGB, entraram em cena para escolher as bandas que iriam se apresentar no local. Eram sempre bandas desconhecidas, mal vestidas e potenciais delinquentes, porém com um diferencial: todas autorais. Para escapar das taxas, o clube baixou seu próprio decreto e surgiram diversos artistas lutando por seus primeiros minutos de palco para as audições. Nesse ritmo, quatro garotos magros vestidos de jeans e jaquetas de couro foram aprovados e se apresentaram constantemente no pequeno palco. Quem eram? Nada menos que os Ramones. A poetisa do rock, Patti Smith, estreiou no mesmo palco em 1975, seguida do new wave de Blondie e o “Qu’est-ce que c’est” do Talking Heads.

Ok, agora vamos ao filme.

O proprietário beberrão e negligente Kristal é vivido pelo sempre ótimo Alan Rickman (precisa de referência?); Rupert Grint (de novo, referência pra que?) vive o baixista da banda The Dead Boys, primeira banda produzida por Kristal; Malin Akerman (Watchmen) faz Debbie Harry, vocalista da Blondie; e temos Taylor Hawkins (sim, o baterista do Foo Fighters) como Iggy Pop – que nunca se apresentou no bar, mas cuja caracterização está perfeita!

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A trama procura seguir mais a trilha de Hilly, mostrando como ele lida (porcamente) com o dia-a-dia do estabelecimento e suas dificuldades, tanto estruturais quanto monetárias, como guardar o dinheiro ganho no freezer de seu apartamento e esquecer de pagar as contas do bar. Também vemos o surgimento da fanzine “Punk”, responsável por divulgar boa parte do cenário musical underground da época, baseando-se nas bandas que se apresentavam no mítico local.

Mesmo que não tenha recebido muita atenção da mídia e da crítica, e meio que falhar quanto a ser um “drama”, o filme acaba sendo divertido para os fãs por mostrar como funcionou uma das mais importantes influências ao movimento punk nos EUA. Não se torna um item necessário no HD de todo rockeiro, mas certamente te dará 1h40min da melhor trilha sonora que podemos ter. Por fim, “CBGB” se mostrou um filme que melhor define o movimento Punk Rock: cru, direto, nojento e amado por poucos.

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