Resenha | Bright (2017) e seu entretenimento modesto

O que poderia sair da mistura de um filme de fantasia com fadas, orcs, elfos e até dragões com um filme de gênero policial que procura tratar tudo isso de uma forma bem pé no chão – mesmo que o contexto já passe um pouco do limite da realidade? É exatamente essa a proposta de “Bright”, novo filme da Netflix protagonizado por Will Smith (“Esquadrão Suicida”) e Joel Edgerton (“Ao Cair da Noite“) e dirigido por David Ayer (“Esquadrão Suicida”).

Título: Bright

Diretor: David Ayer

Ano: 2017

Pipocas: 6/10

“Bright” trabalha toda essa junção de criaturas e possibilidades de uma forma bastante interessante; todos esses seres estão ligados diretamente a muitos ambientes do nosso cotidiano, como por exemplo Nick (Joel Edgerton) que, mesmo sendo um orc, se tornou um policial. Essa mistura consegue trazer pro filme um paralelo muito bem desenvolvido a cerca de preconceito e discriminação, temas esses que são tocados durante praticamente todo o filme.

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Muito do debate que envolve os temas citados anteriormente ocorrem pela divisão social no ambiente em que eles vivem. Orcs possuem uma ligação e um dever de proteger uns aos outros simplesmente por serem da mesma espécie. Eles se ajudam e compartilham entre eles um sentimento de segurança e companheirismo que mantém eles sempre unidos – algo que podemos muito bem trazer para as nossas vidas como uma crítica a forma como nós, sendo todos seres humanos, conseguimos nos tornar tão indiferentes uns com os outros. Ainda assim, a espécie sempre é tratada como criadora de vândalos e marginais. Nesses momentos, em que as críticas sociais são mais abordadas, é que o filme consegue nos passar a impressão de que o que estamos assistindo não é somente entretenimento por entretenimento, existindo algo a mais abaixo da camada de fantasia que vemos.

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A mitologia do filme também se mostra bastante abrangente. A forma como tudo é apresentado, as divisões para cada núcleo, o fundo histórico que é citado em alguns momentos, tudo isso traz de forma mais de palpável o universo por trás de Bright que com certeza pode ser explorado mais a fundo em uma sequência.

Mas o foco desta obra não está nas divisões sociais. A narrativa inicial gira em torno da relação dos personagens de Will e Joel, mas com o passar dos minutos somos apresentados ao verdadeiro plot do filme que é a existência de uma varinha mágica que, além de possuir a capacidade de realizar desejos das pessoas que forem capazes de segurá-la, também pode trazer o Senhor das Trevas de volta. A partir desse ponto seguimos nossos protagonistas, agora acompanhados de uma nova personagem, Tikka (Lucy Fry), em uma jornada enquanto tentam sobreviver aos ataques de gangues humanas, gangues orcs e um grupo de elfos que buscam recuperam essa varinha para trazerem de volta o mestre deles.

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Por mais que muitas das ideias trazidas para o filme sejam muito boas, após as suas introduções o filme perde muita consistência. Um ou outro furo de roteiro, uma narrativa meio previsível em alguns momentos e outros pequenos problemas que, embora possam ser relevados dependendo da forma que o filme é visto, ainda assim tornam o segundo e o terceiro ato de Bright bem menos interessantes do que o primeiro. Durante esse período nós temos algumas boas cenas de ação — o que dá uma forcinha para seguirmos em frente.

Tendo uma proposta bastante bacana, os personagens principais muito carismáticos e com uma boa química, Bright consegue caminhar muito bem. O contexto social abordado e a mitologia por trás de toda essa história são os maiores trunfos do filme, trazendo ainda consigo uma boa porção de diversão e entretenimento.

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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.