Boneco do Mal (2016) não é a versão masculina de Annabelle

 

boneco do mal

Título: Boneco do Mal (“The Boy”)

Diretor: William Brent Bell

Ano: 2016

Pipocas: 5/10

Sempre é interessante ver um filme sair do caminho esperado. Quando se assiste filmes o suficiente – e não necessariamente muitos -, percebe-se um padrão nas histórias e, dentre todos os gêneros, o terror desponta como um dos que mais sofre com a previsibilidade. A partir do momento que o longa se afasta dos clichês, o interesse é renovado e nos leva ao final da trama. Ainda assim, precisamos lembrar que ser diferente não torna um filme bom automaticamente e “Boneco do Mal” é um ótimo exemplo disso.

O filme conta a história de Greta (Lauren Cohen, Maggie de The Walking Dead), uma jovem americana que vai para o Reino Unido para fugir de seu passado. Lá, Greta vai trabalhar como babá para o Sr. e Sra. Heelshire, um casal de idosos que tem um filho pequeno, o garoto Brahms. Qual não é a surpresa de Greta ao descobrir que não há garoto e que na verdade ela deverá tomar conta de um boneco de porcelana que o casal crê ser receptáculo para o espírito do filho. Quando Greta não acredita e maltrata o boneco… Bem, ele reage de acordo.

É normal que precisemos criar, quando somos adolescentes, uma identidade própria na escola, então personalizamos nosso uniforme à nossa maneira, dentro das regras permitidas pelo colégio. Da mesma forma, “O Boneco do Mal” (adaptação de título desleal, inclusive) traz muitos elementos de uniforme do gênero enquanto tenta fazer algo novo: temos um boneco de porcelana assombrado, uma casa isolada de toda a civilização, sustos desleais, um rapaz bem-intencionado que se apaixona pela mocinha e uma protagonista com um passado sombrio que aparece com pouca roupa com frequência. Se você sentir que já viu esse filme antes, relaxe, você não está sozinho…. e não no sentido macabro.

Mesmo dentro dos clichês, “O Boneco do Mal” tem suas dificuldades. Embora não caia na tentação de fazer o boneco se mover – automaticamente se tornando uma paródia de si mesmo -, o espírito de Brahms se mostra pouco criativo em suas traquinagens. Da mesma forma, enquanto a história do passado de Greta é bem trabalhada e dá uma dimensão mais profunda ao filme, além de criar uma dinâmica entre assombração e assombrado que eu não me lembro de ter visto antes, os sustos só servem para mostrar o quanto a trama pode ser preguiçosa (embora eu tenha tomado, sim, alguns sustos no cinema).

Ao vermos a história se desenrolando em cena e os rumos que ela toma, a própria questão da identidade do medo vem à tona. É possível pegar elementos classicamente assustadores e torná-los mais simpáticos ao público? É possível desconstruir o medo e substituí-lo por empatia? Até que ponto os filmes serão capazes de ir para surpreender suas audiências, mesmo que corram o risco de decepcioná-las?

Ao fim de “O Boneco do Mal”, o filme se entrega a mais uma reviravolta, que acaba soando gratuita e desmerecendo esse novo viés que o longa vinha construindo – além de fazer vários furos em um roteiro que antes era simples. Ainda assim, não deixe que o título brasileiro lhe engane: “O Boneco do Mal” não é uma Annabelle masculina, mas sim algo diferente – embora isso não seja o suficiente para redimi-lo de suas falhas. Ainda assim, é final de semana e você tem aquela garota/garoto para levar ao cinema? Se toparem, “O Boneco do Mal” pode ser uma pedida boa o suficiente – embora tenhamos filmes melhores em cartaz para isso.

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Essa resenha é um oferecimento da rede CineJoia de cinemas. Viva o Joia! Viva o Cinema!


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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.