Bloodline – 3ª Temporada (2017) corre para um final desesperado (comentários com spoilers)

Muito se esperava para que “Bloodline”, a série dramática da Netflix, tivesse uma excelente última temporada e, embora tenha começado tão bem e mantido o tom esperado com pelo menos os três primeiros episódios, infelizmente a trama deixou a desejar e entregou um desfecho longe de satisfatório para a família Rayburn.

A verdade é que a temporada se encerrou com mais erros do que acertos, e muito disso se deve as escolhas para a história que estávamos acompanhando. Começando com os personagens, e o melhor exemplo para isso é Meg (Linda Cardellini); a moça desempenhava um papel de extrema importância como qualquer outro, e optar por mantê-la afastada da trama acabou por torná-la como uma participação especial ao longo dos episódios.

Sem falar que a série perdeu muito de sua identidade em apenas uma temporada: todo o suspense que sustentava e movimentava as anteriores se esfriou em meio a uma trama que só atiçava, mas que resultava em plots que a tornou ainda mais arrastada. Parecia que voltamos ao primeiro ano em que teríamos tempo de ver qualquer coisa ser desenvolvida a fim de preencher o episódio.

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Seria necessário repetir o mesmo caminho da segunda temporada para que tivéssemos um bom encerramento para “Bloodline”? E não falo das sacadas do roteiro, mas de uma trama repleta de tensão que não deixava o potencial se perder por pequenos erros. Felizmente, parecia que o sexto episódio do terceiro ano veio para corrigir e colocar os trilhos nos devidos lugares e indicou que uma grande reviravolta estava por vir, mas os episódios seguintes só provaram o quanto a série estava longe de resgatar a sua qualidade.

Diferente de seguir a trama com a urgência necessária, como aparentava na volta da série, à essa altura de temporada os roteiristas decidiram inserir mais contextos que levantavam dúvidas. A missão com o último ano de “Bloodline” era as respostas para plots da temporada passada e o final que os Rayburn mereciam, mas que se permitiu conduzir por escolhas previsíveis. Certo que ter Kevin (Norbert Leo Butz) como o foco principal – visto que os eventos que mantiveram um gancho foram através dele – era necessário, mas ver que o moço não aprendeu com os próprios erros prejudicou o que poderia ter sido um melhor desenvolvimento.

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Se o sexto episódio, por um momento, foi um alívio para a temporada, ao mesmo tempo refletia como a série era. Já o nono episódio foi um exemplo de como a mesma se encontrava: perdida em sua própria trama, dando voltas sem chegar em lugar algum. Faltando apenas um passo para sabermos o final dos Rayburns, não precisávamos de um roteiro tão preguiçoso.

Depois de uma temporada seguida de episódios maçantes, as tão esperadas respostas não se mostraram tão impactantes quanto pareciam ser. O final de “Bloodline” foi tão desesperado a ponto de elevar para um drama desnecessário de última hora e entregar um desfecho pífio que jamais faria jus ao que acompanhamos por duas excelentes temporadas. Infelizmente, é assim que a série será lembrada, e não é por deixar de atender às expectativas, mas por abandonar o que tinha de melhor: o suspense.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.