Black Mirror: O Reflexo Obscuro da Vida e Tecnologia

Novas tecnologias estão cada vez mais presentes nas nossas vidas. Celulares fazem muito mais do que ligações, relógios fazem mais do que mostrar a hora, casas onde é possível controlar tudo através de um único controle e até robôs que fazem tarefas domésticas! Muito do que vemos hoje não era sequer imaginado a 10 anos atrás. E é como nos adaptamos a essas tecnologias e a forma como interagimos com ela que se baseia a série britânica Black Mirror. O título da série traduzido para o português seria algo como “Espelho Negro”, que remete aos aparelhos que estão a nossa volta todos os dias, em todos os lugares. Nossos telefones celulares, as TVs, monitores, todas as telas que quando desligamos podemos enxergar nosso reflexo nelas, como um espelho.

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Criada pelo até então desconhecido Charlie Brooker, Black Mirror é feita em formato antologia, onde cada episódio conta uma história independente. A proposta da série não é simplesmente apresentar possíveis novas tecnologias, mas sim como essas tecnologias viriam a afetar nossas relações sociais, e como situações do cotidiano que sempre vivemos poderiam ser diferentes com o avanço tecnológico – por exemplo: como seria se tivéssemos olhos capazes de gravar tudo que a gente faz e vive, e ainda pudéssemos acessar essas memórias a todo momento?

Olhos

O debate ético e moral que essas tecnologias trazem a nossas vidas, são abordados de forma impactante, e as vezes até desconfortável. Sabe quando fica aquela sensação de incômodo que te faz pensar por horas, às vezes até por dias? Black Mirror vai te causar isso. Não fica claro o quão no futuro se passa a série, embora durante alguns episódios fiquei com a impressão de não ser um futuro tão distante assim da nossa realidade.

Um exemplo de desconforto ocorre já no episódio piloto (um dos melhores na minha opinião), onde o Primeiro Ministro da Inglaterra, Michael Callow (Rory Kinnear), recebe a ligação de uma pessoa que diz ter sequestrado a princesa e, como condição para libertá-la, o sequestrador exige que Michael faça sexo com um porco (não, você não leu errado), e que o ato seja exibido em rede nacional. A solução final me fez refletir por semanas! Também é interessante observar o papel importante que a mídia exerce em alguns episódios e como os veículos de comunicação podem ser decisivos acerca de determinadas situações. A série levanta inúmeras discussões morais do que é certo ou errado, e as consequências que essas decisões podem trazer. É realmente uma pena que um conteúdo televisivo com tamanha qualidade e que aborda temas tão relevantes, seja tão pouco conhecido pelo grande público.

1ministro

Até agora a série teve duas temporadas com três episódios cada, e um especial de Natal e, recentemente, mais 12 episódios foram confirmados pela Netflix. Se o que você está procurando é algo alegre e alto astral, coloque na lista para assistir depois. Black Mirror é uma série que expõe de forma crua como estamos mudando nossa forma de convívio social e como podemos lidar com a chegada de (possíveis) novas tecnologias, que podem estar bem mais próximas do que a gente imagina.

 

Leia Também:

Sobre outra ótima série na Netflix: Primeiras Impressões: House of Cards – 4ª Temporada (2016)

Sobre algo igualmente perturbador: A Bruxa (2015)

Outro texto do mesmo autor: Friends – Por Que Os Fãs Tanto Pedem um Reencontro?

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Márcio Corrêa é estudante de Jornalismo & Publicidade, tem Taxi Driver como filme da vida, gostou de Lost até o final (!) e Demolidor & Batman são a prova de que é possível gostar de Marvel e DC ao mesmo tempo.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.