Resenha | Big Mouth: 2ª temporada – humor, constrangimento e hormônios

“Big Mouth” é uma série incômoda, mas difícil de ignorar depois de assistida. Assim, após comentar seu início em texto e podcast com a Mylla do Só Mais Uma Coisa, seguiremos falando das atrocidades que Nick, Andrew, Jessi e seu pessoal falam e fazem nessa conturbada e (infelizmente (?)) inesquecível puberdade!

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A ideia da série continua sendo mostrar os pré-adolescentes lidando com as transformações em seus corpos sem um tom professoral cheio de não-me-toques. “Big Mouth” continua abordando vários tabus com muito bom humor e absolutamente nenhum bom senso — o que é provocante. Perguntar “qual é o limite do humor” virou uma piada de mal gosto, especialmente pra quem faz e consome conteúdo humorístico. Nesse sentido, “Big Mouth” é um excelente exemplo para avaliar, já que a série traça uma linha tênue entre o que é provocativo e errado e fica sambando em cima dela. Diferente de certos casos, nenhum crime é perpetrado durante a elaboração das piadas, contudo, Nick Kroll deu um jeito de colocar um elefante gemendo no meio da sala e todos ficam incomodados com o barulho do paquiderme.

Nessa segunda temporada de “Big Mouth”, houve a adição de um personagem chamado Shame Wizard (o Mago da Vergonha) que funciona como uma espécie de acusador, expondo os pré-adolescentes à sua própria irracionalidade para satisfazer seus desejos. As consequências das ações do Mago são desastrosas: vários tomam atitudes questionáveis para evitar a culpa causada pela figura fantasmagórica.

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Criar desconforto é, certamente, um dos maiores objetivos que “Big Mouth” alcança com sucesso e esse sentimento pode ser resumido na figura do Treinador Steve, personagem que, em suma, é uma criança que nunca saiu da puberdade — mesmo sendo um homem na casa dos quarenta. Nessa temporada, Steve recebeu um desenvolvimento interessante que culmina numa conversa franca com o Mago da Vergonha. O papo acontece porque Steve não é afetado pela culpa, possivelmente, por ter o desenvolvimento cognitivo de uma criança que ainda não foi atropelada por convenções morais e, portanto, “entende” a vida uma maneira muito simplória. Por incrível que pareça, Steve é um idiota que está além do bem e do mal; o que não o impede de acertar a cabeça da colega de trabalho com um bastão.

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Por fim, Nick, Andrew e Jessi seguem sendo o núcleo principal de conflitos de “Big Mouth”. Eles nos dão a visão de coisas interessantes que ainda podem ser exploradas como, ao fim da temporada, Nick estar nas mãos de Connie (a, agora, ex-monstra de Jessie). Será que o menino ter um monstro hormonal feminino pode trazer alguma mudança no jogo? Além disso, os adolescentes visitam brevemente o Departamento da Puberdade, mostrando que o mundo de criaturas da puberdade é bem maior. Ainda vale ressaltar que Jessi deixa de ser mentorada por Connie por alguns momentos, para ficar a cargo da Depressão, um personagem que certamente decepciona por ter sido pouquíssimo explorado.

Sem dúvidas, todas essas possibilidades irão trazer mais constrangimento na próxima temporada.

 


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