Batman Vs Superman – A Origem da Justiça (2016)

“É assim que começa. A febre, o ódio, o sentimento de impotência que torna homens bons, cruéis.”

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Título: Batman Vs Superman – A Origem da Justiça

(“Batman V. Superman – Dawn of Justice”)

Diretor: Zack Snyder

Ano: 2016

Pipocas: 8/10

A imparcialidade é uma habilidade que precisamos exercitar, tanto para nosso dia a dia quanto para momentos importantes que sempre vêm. Sendo fã de quadrinhos, esse músculo tem sido testado com frequência pela enxurrada constante de adaptações de HQ. Ainda assim, após ter minhas expectativas baixadas pelos trailers inconstantes, saí da exibição de “Batman Vs Superman” com a sensação de êxtase que apenas filmes empolgantes conseguem gerar – embora o filme esteja longe de ser perfeito.

No filme, Bruce Wayne (Ben Affleck) testemunha a destruição de Metrópolis (vista em “O Homem de Aço”, 2013) e a perda de pessoas queridas, de forma que inicia uma preparação para enfrentar o alienígena conhecido como Superman (Henry Cavill). No decorrer do seu projeto, seus planos acabam por se entrelaçar com aqueles de Lex Luthor (Jesse Eisenberg), que busca ele mesmo se tornar o único protetor de Metrópolis ao destruir o alterego de Clark Kent.

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É importante dizer, desde o início, que o filme tem falhas, algumas bem graves. A primeira delas é a edição e montagem do filme, que muitas vezes parece um clipe, com cenas curtas se alternando e com pouca coerência narrativa. O segundo problema principal é oriundo disso: o ritmo. Em um bom pedaço da primeira metade do filme pouco acontece, enquanto a segunda metade é uma loucura frenética. Isso torna alguns momentos arrastados no início e prejudica o entendimento do filme sobre o que está acontecendo em tela em alguns momentos posteriores.

Por outro lado… O cinema passou boa parte da sessão aplaudindo e, em algumas cenas, gritando histericamente. A sucessão de elementos das HQs deixava os fãs extasiados, enquanto momentos de nível épico levaram mesmo os leigos a berrar junto. É a vantagem de se trabalhar com personagens mundialmente conhecidos como Superman, Batman e Mulher-Maravilha: você não precisa explicar quem eles são para que as pessoas se empolguem com eles.

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Pelo contrário: o filme se dá ao luxo de reformular os personagens durante o filme para adequar ao Universo DC nos cinemas. Um exemplo curioso disso é como em nenhum momento do filme se referem ao Cavaleiro das Trevas como “Batman”, mas sempre “O Morcego” ou “O Morcego de Gotham”. Ainda falando sobre a reformulação dele, é interessante finalmente vermos um Batman experiente, com 20 anos de carreira lutando contra o crime, que já não se furta de usar armas de fogo quando necessário. A resistência dele contra armas desse tipo, oriunda da morte de seus pais (que já vimos umas 52 vezes no cinema), é um ponto-chave do personagem, mas que aqui não atiça o ódio dos fãs por ser bem construído dentro do personagem.

Isso se deve principalmente à atuação de Ben Affleck. Enquanto muitos reclamavam da escolha do ator para o filme (o que é bizarro, considerando os atores e atuações que já tivemos sendo o Batman), outros lembravam do ator/roteirista em “Gênio Indomável” (“Good Will Hunting”, 1997) e ator/diretor em “Argo” (2012). As experiências de Affleck nestas funções ajudam a construir um Bruce Wayne maduro, que não tem mais conflitos em relação ao seu papel na sociedade (“Sempre fomos criminosos, Alfred”), não se furtando de cumpri-lo como necessário.

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Ainda nas atuações, Gal Gadot arrebenta em seu pouco tempo de tela como Diana Prince/Mulher-Maravilha, e faz com que aqueles que duvidavam dela também mordessem a língua. Jesse Eisenberg entrega um Lex Luthor completamente insano, que parece ter recebido uma boa dose de crueldade e loucura do Coringa, e tem um arco de evolução muito interessante. Por outro lado, a Lois Lane de Amy Adams não está tudo isso, ficando mais como garota de recados de todo mundo, e servindo mais como motivo para outros personagens do que como personagem por si própria. O elenco de apoio, que tem nomes como Jeremy Irons (um ótimo Alfred), Diane Lane (já confortável como Martha Kent), Laurence Fishburne como Perry White, dentre outros, acrescenta substância ao filme, de forma que nenhum dos personagens secundários parece realmente secundário.

Muito da culpa disso vem do roteiro, que é praticamente um quadrinho sem desenhos. Bem como uma HQ média, os diálogos por muitas vezes são toscos e caricatos, mas a história encontra base nas motivações dos personagens. Cada um tem seu próprio desígnio independente, e as tramas se enredam de maneira cada vez mais complexa e interessante.

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Além disso, a temática do homem versus deus, além de explícita, está nos mínimos detalhes. Desde figuras apocalípticas à cenários que parecem ter sido montados com a bíblia cristã em mãos, o filme acrescenta uma camada de significado a si próprio. Ele reconhece para a audiência qual é a sua proposta narrativa, de trazer Superman como o Messias, enquanto brinca de usar a linguagem visual para concordar ou discordar disso, dependendo do momento do filme.

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Se você é fã de quadrinho, dificilmente não vai se animar com “Batman Vs Superman”. Mesmo com minhas dúvidas, principalmente devido ao segundo trailer, a experiência de ver vários quadrinhos sendo transformados em filme de alto orçamento é algo indescritível. A maior mentira de todas é achar que precisamos desligar nosso senso crítico para nos divertir; o segredo reside em reconhecer que o filme não é nem divino nem mundano, mas que é, sim, ótimo e imperdível.

Em breve, eu e o Jão lançaremos algo especial falando TUDO do filme, com detalhes e, obviamente, spoilers. Assine nosso feed e prepare-se.

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Essa resenha é oferecimentos da rede CineJoia de cinemas.

Viva o Joia! Viva o Cinema!

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.