Comentário: Bates Motel – 5ª temporada (2017): o post mortem do fim da série

Finalmente, pudemos acompanhar o quinto e último ano de Bates Motel; depois da excelente quarta temporada, cheia de sequências de ótimos episódios, a expectativa para o que teríamos aqui não poderia ser pouca – afinal, já era esperado que a própria traria momentos do filme Psicose (1960). No entanto, diante de altos e baixos, a série deu o seu adeus.

No primeiro episódio da volta da série já nos deparamos com um salto temporal – o que foi um dos pontos negativos da temporada -, ainda assim com um vislumbre do Norman Bates que conhecemos no filme Psicose: um homem mais conhecido, respeitado e gerenciando o motel, claro. Além disso, um dos destaques foi o tom nostálgico, nos remetendo ao seu piloto.

bates motel

Um ponto baixo da temporada, foi a forma com que Romero, Dylan e Emma foram abordados. Sendo que se trata de personagens importantes e fundamentais para a trama, ficaram deslocados, e a decisão de mantê-los afastados do que se desenvolvia para Norman no motel foi decepcionante.

Há quem defenda a segunda temporada da série, e outros que, como eu, a consideram como a mais fraca. Assistindo ao seu quinto ano, era impossível não lembrar dela em alguns momentos e compará-las: cheias de potencial, mas deixando a desejar. Certo que, como uma última temporada, Bates Motel tinha tudo para entregar o seu melhor ano, mas apresentou sequências fracas e aparentemente irrelevantes para a trama.

Bates Motel

Diante dos pontos negativos, em contrapartida tivemos também uma das melhores performances de Norman e Norma (Freddie Highmore e Vera Farmiga, respectivamente). As cenas que a dupla compartilhou com o seu público foram de tirar o fôlego, e com certeza serão momentos inesquecíveis. E muito disso se deve à ousadia tomada em explorar mais do que já vimos no relacionamento entre eles: nos foi apresentado aqui uma Norma e Norman mais ácidos e irônicos, sem perderem o brilho nas suas atuações belíssimas e humor em situações tensas.

Outro destaque foi como aprofundaram mais a psicose de Norman: as várias nuances e abordagens trabalhas proporcionaram momentos importantes, os quais, quanto mais assistíamos, mais apreciávamos. As teorias sobre o que aqueles eventos significavam e no que poderiam resultar se multiplicaram.

Vale ressaltar também as muitas referências – desde os mínimos detalhes – ao filme “Psicose”, que não deixou a desejar na promessa do que teríamos envolvendo o mesmo, e mais uma vez ousou e acertou por não se fazer uma cópia dos acontecimentos vistos no longa.

No mais, Bates Motel encerrou o seu quinto ano de maneira satisfatória e valendo muito pelo seu significado, tentando entregar o melhor. Infelizmente, nos deixou com pontas soltas e sem respostas com dúvidas que foram levantadas, mas esquecidas em plots secundários. Seja como for, tivemos de nos desfazer desse cordão que unia o seu público, pelo carinho com os personagens queridos que acompanhamos por cinco anos.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.