Azul É A Cor Mais Quente (2010)

Lembrando que este quadrinho e o filme que é comentado são para o público maior de 18 anos. Não aconselhamos, de forma alguma, que leiam se forem menores de idade ou sensíveis aos assuntos pertinentes à obra.

Muitas pessoas devem ter assistido assistido a um dos filmes de romance sexual mais famosos do mundo. “Azul é a Cor Mais Quente” é realmente um filme bem conhecido e apreciado por muitos. O história foi abraçada pela comunidade LGBT, mas não exaltada como  uma obra exemplo ou qualquer coisa do tipo. Mas o que as pessoas não costumam saber é que o filme foi baseado em uma história em quadrinhos francesa de mesmo nome.

capa-blue-is-the-warmest-color.jpg

Aqui no Brasil, estamos acostumados com o nosso maravilhoso Maurício de Souza ou os quadrinhos americanos, com seus super-heróis e anti-heróis, histórias fantásticas. E quando entramos em contato com algo europeu, seria no máximo um Neil Gaiman ou Alan Moore. Mas, na França, os quadrinhos são mais focados nos adultos do que adolescentes ou crianças. E, com sua cultura tão romântica e sensual, surgem algumas obras como essa.

O filme segue, basicamente, a mesma coisa que o quadrinho, até um certo ponto, em que as obras vão para caminhos diferentes. A história começa com Emma lendo o diário de Clémentine, e a história é narrada como as memórias de Clém transpostas para o papel. A personagem principal é Clémentine que está no ensino médio, vivendo como uma adolescente normal, com seus amigos e paixões. Logo entra em um relacionamento com um garoto, que não acaba muito bem. Ela termina o relacionamento por não conseguir se relacionar sexualmente com o garoto. Ela se sente mal, como se tivesse algum tipo de obrigação de gostar dele ou até mesmo do sexo masculino.

Até que o amigo de Clém, que é homossexual, a chama para uma festa. Clém acaba se perdendo pelas ruas na volta, ela se depara com um bar gay. Lá ela conhece Emma, uma menina mais velha com o cabelo azul. Após este encontro inusitado, Clém se pega as vezes fantasiando um romance com Emma, e até tendo “sonhos molhados”. Clém e Emma se encontram algumas vezes e a paixão entre as duas só cresce. Elas começam um relacionamento, com direito a apresentação para família e tudo. Mas nesta apresentação à família que o filme diverge do quadrinho.MIOLO_azul_NOVO_FINAL.indd

A homofobia é bem retratada, o preconceito infligido pela família e amigos de Clém por quase todos os lados, o sofrimento dela também é bem narrado pelas palavras da própria. Mas é o romance e o descobrimento sexual das duas que é o forte dessa história. As cenas de sexo não são tão extensas como as do filme – e nem deveriam ser; se fossem, seria massante e um desperdício de páginas. Mas como e quando elas foram colocadas apenas acrescentou à trama.

A história foi escrita e ilustrada por Julie Maroh. O desenho é muito característico dela, com um traço um pouco parecido com mangá mas ainda assim com uma personalidade bem única. A coloração é muito bonita, apesar de, na maior parte da revista, ser em preto e branco, com o estilo aquarelado e com algumas partes com pintura a lápis.

Com finais diferentes, eu ainda achei o final do filme mais trágico que o final do quadrinho. Ainda assim, a HQ te deixa bem conectado com Clém e sua história, o que consequentemente nos conecta a Emma. O quadrinho pode te fazer chorar, ou não, mas, ainda assim, será uma excelente leitura. Por favor leia afastado das pessoas, pois a nudez é bem comum durante toda a obra – ou não. Talvez o ser humano precise ser tirado de sua zona de conforto mais vezes. Seja você a pessoa de cabelo azul na vida de outro perdido.

***

Leia Também:

Brasil também tem abordado o tema: CineBrasil #4 – Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014)

Outras histórias em quadrinhos para adultas: Uma Homenagem a Garth Ennis

 

The following two tabs change content below.

caiosantanasilveira

Professor, fotógrafo, sashônico, randômico e Mestre das Orcas às terças-feiras