Assassinato no Expresso do Oriente (2017) – um filme moderno com um quê de clássico (resenha sem spoilers)

“Classe”. Há quem diga que a antiga e cheia de presença classe nos filmes de Hollywood tenha se perdido. Seja pela extrema procura do público por algo que seja novo ou pela imensidão de filmes com orçamentos beirando a casa dos duzentos milhões de dólares, precisamos concordar que faz um tempinho que não vemos nada tão original, mas que traga aquela vibe mais tradicional. A história em questão não é realmente nova, e sim adaptada de um livro lançado em meados de 1934 que até já deu uma passadinha nas grandes telas há algumas décadas. Estamos falando de “Assassinato no Expresso do Oriente” e da geração que preza por um bom filme de detetive sem tantos aparatos.

Título: Assassinato no Expresso do Oriente (“Murder on The Orient Express”)

Diretor: Kenneth Branagh

Ano: 2017

Pipocas: 7,5/10

Nesta adaptação do Clássico de Agatha Christie, dirigida e também protagonizada por Kenneth Branagh (Dunkirk), somos apresentados – ou reapresentados – ao inteligentíssimo detetive Hercule Poirot (Kenneth) em busca do seu tão sonhado momento de descanso após resolver o caso do roubo de uma peça extremamente valiosa logo no início do filme. E eu digo “inteligentíssimo” porque em alguns momentos é absurdamente difícil de acompanhar um raciocínio tão completo e complexo em uma velocidade tão rápida, mas isso pode ser consequência do ritmo do filme, aspecto que falaremos um pouco mais para frente.

Logo após mais essa conquista para o seu impecável e invejável currículo, nosso querido Poirot, – a esse ponto já estou bastante intimo da sua pessoa – dando início ao que seriam as suas férias, é “convidado” pelo Conselho Britânico a desvendar um assassinato, ganhando, assim, uma passagem para ingressar no Expresso do Oriente. A partir desse ponto, somos apresentados aos poucos aos possíveis suspeitos do assassinato que está para acontecer – e é um pessoal e tanto.

O elenco do filme é um bom cartão de visita: Daisy Ridley (“Star Wars: Os Últimos Jedi”), Penélope Cruz (‘Versace: American Crime Story”), Michelle Pfeiffer (“Mãe!”), Josh Gad (“A Bela e a Fera”), Judi Dench (Victria & Adbl), William Dafoe (Projeto Flórida) e acrescentando Johnny Depp (“Animais Fantásticos e Onde Habitam”). Definitivamente, esse pessoal – junto do restante do elenco é claro – trouxe uma das maiores qualidades desse filme: os próprios personagens. Claro que alguns personagens tiveram mais tempo em tela do que outros – o que em determinado caso foi uma escolha muito bem-vinda – mas o desenrolar da história depende muito dos personagens e de como o roteiro deixa isso bem acertado.

Mas um dos pontos que, ao meu humilde ver, consegue trazer uma identidade e um sentimento muito bacana para esse filme é o ritmo. O filme costuma ser bem rápido, o que faz alguns diálogos e cenas possuírem um tempo corrido menor. Isso dá chance de o filme acrescentar ainda mais elementos e informações que consolidam o mistério e o background das motivações sem deixar a sensação de um filme longo e cansativo. O que, para esse filme, é essencial. Sem contar que o visual é belíssimo. O design de produção é um show à parte e a direção e a fotografia conseguem nos dar momentos muito bonitos, inteligentes e que consolidam a obra com uma atmosfera mais antiga e de extremo bom gosto.

 

Agora, o elemento que provavelmente deve gerar mais reações, sejam elas positivas ou negativas, é o desenvolvimento do mistério e o desfecho. O roteiro de “Assassinato no Expresso do Oriente” consegue amarrar muitas situações de forma bastante competente e isso é ótimo, mas por ter um ritmo mais rápido para contar a história, pode ser comum em alguns momentos você ficar meio perdido na velocidade de raciocínio de Poirot, o que não necessariamente deve ser encarado como um erro do filme. Nos dez primeiros minutos de filme, nós compreendemos que Hercule não é um detetive comum e que ele já faz isso – com bastante êxito – há muito tempo, o que acaba compensando a escolha. Principalmente se olharmos para o fato de essa já ser uma característica do longa.

Mas é no desfecho que as reações conseguem ir um pouco mais além do esperado. Como alguém que nunca tinha lido a obra que inspirou o filme, ou muito menos visto a adaptação de 1974 – sim, podem me julgar –, o desfecho de todo o mistério foi uma surpresa. Em certos pontos me vi receoso de que o filme não conseguisse entregar um final à altura da sua construção, o que acaba sendo até comum em muitos filmes ultimamente. Mas, ao apelar para algo muito mais profundo do que eu esperava, “Assassinato no Expresso do Oriente” conseguiu não somente chamar a minha atenção pela surpresa como trabalhar a potencialização de um sentimento tão forte como a vingança.

assassinato no expresso do oriente

Tendo um visual extremamente cativante, com boas atuações e um ritmo que consegue diferenciar o filme de muitas obras que estão sendo lançadas mensalmente nos cinemas, “Assassinato no Expresso do Oriente” se tornou, para mim, uma grata surpresa nas quase duas horas que eu não me arrependo de ter dedicado a ele.

 


Entre no nosso grupo secreto no Facebook e no grupo aberto do Telegram para interagir com os autores dos textos e outros leitores do site.

The following two tabs change content below.

Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.