Resenha: Ash Vs Evil Dead – 2ª Temporada

A primeira temporada de “Ash Vs Evil Dead” foi excelente. Tivemos o retorno de personagens queridos de um filme de trinta anos atrás, uma história divertida e sangue aos borbotões. Ao final dos episódios do primeiro ano da série, o desfecho irônico deixou um desejo por mais, com o programa já apontando para a direção que iria.

Mas nada, meus amigos, nos preparou para esta segunda temporada. Com um enredo bem mais interessante, personagens em crescendo e um amadurecimento evidente, que a tornou segura em abraçar seu trash com força, “Ash Vs Evil Dead” teve uma segunda temporada ensandecedora.

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Em seu segundo ano, Ash (Bruce “MELHOR PESSOA” Campbell), Pablo (Ray Santiago) e Kelly (Dana DeLorenzo) estão vivendo felizes em Jacksonville, Califórnia, trabalhando com álcool, mulheres e ambientes inóspitos – o sonho do nosso pior heroi de filmes de terror de todos os tempos. Ainda assim, não tarda para que as forças das trevas o encontrem: demônios terríveis possuem pessoas e causam caos e matança na cidade. Desta vez, contudo, eles não querem destruir Ash, mas sim pedir sua ajuda para lutar contra forças ainda mais terríveis. A maligna Ruby (Lucy Lawless, a Xena) avisa ao grupo sobre uma entidade demoníaca que se assoma no horizonte, e somente Ashley Williams e seus amigos são capazes de impedi-la.

A série ganhou muito em confiança, graças à sua audiência sólida e sucesso consistente de crítica – ajudou, inclusive, o fato dela ter sido renovada para uma terceira temporada menos de uma semana depois da estreia da segunda. Com essa base, o show se sente confortável para testar seus limites, tanto narrativos quanto nos seus recursos de comédia e principalmente gore, elevando o número de cadáveres com cada vez mais requintes de crueldade.

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A trama da série continua simples, e não poderia ser diferente com seus 10 episódios de 30 minutos. Ainda assim, enquanto o roteiro era uma desculpa para o festival de tripas e trocadilhos no ano um, aqui a série de fato traz uma história, que se desenvolve com base no passado de Ash quando este se vê obrigado a voltar para a sua cidade natal, Elk Grove. Lá, as consequências de suas atitudes de 30 anos atrás, principalmente do filme Evil Dead, persistem, e todos se lembram de que ele matou quatro pessoas numa cabana na floresta. Ao lidar com isso, a série ganha em profundidade de forma natural, sem ser piegas, e dá espaço para Ash ser tão babaca quanto ele sempre é e ainda ganhar a simpatia do público, que sabe que ele não cometeu essas atrocidades – ok, até cometeu, mas foram os demônios, coisa e tal.

A temporada também desenvolveu a maldição de Pablo e a humanização de Ruby, conseguindo progredir na caracterização dos personagens. Quem acabou ficando em segundo plano foi Kelly, a qual ainda assim teve ótimas cenas, mostrando ser de longe a personagem mais forte e durona da série. “Ash Vs Evil Dead” consegue evoluir vários personagens ao mesmo tempo sem pesar no drama ao reconhecer o quão ridícula pode ser, e os elementos de absurdo risível ainda estão presentes – com destaque para o arco do fantoche falante.

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E da mesma forma que a história progride, você não vai acreditar nas cenas de gore e violência gratuita que tivemos neste segundo ano. Intestinos explodindo seus conteúdos nas bocas de pessoas, caras esfregadas em bidês cheios de urina, tripas, colunas e corações arrancados na unha: a segunda temporada conseguiu fazer coisas que não existia na memória recente da televisão mundial, e que você provavelmente não vai conseguir esquecer depois de assistir. Sempre apelando para o ridículo, as cenas reviram o estômago e te fazem querer fechar os olhos, mas sempre com um sorriso no rosto.

Com um elenco muito carismático, um roteiro criativo e apoio da sua emissora para ser o seu pior eu possível, “Ash Vs Evil Dead” alça um novo nível de qualidade indiscutível nessa temporada – e o 100% no Rotten Tomatoes que o diga. A série é uma prova de que, quando bem feito e com paixão, ser uma merda é somente um ponto de vista.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.