Coluna | Mudando para os Estados Unidos – arrumando um emprego nos EUA

Depois de chegar aqui, fiquei por mais de um mês à procura de emprego nos EUA. Não é muito comum nos Estados Unidos se entregar currículo para empregos como caixa, garçom e vagas que não precisem de uma educação superior; em vez do tradicional, bater de porta em porta nas lojas ou do moderno e-mail para milhares de lojas em um clique, os sites das franquias tem seus formulários online. Os formulários devem ser preenchidos com suas informações pessoais e experiências profissionais anteriores, se tiver, cursos que possam adicionar ao cargo. Nas lojas não franqueadas, os formulários são impressos e é só pedir para qualquer funcionário da loja e entregar o formulário preenchido para o gerente.

Sabendo disso, enviei muitos formulários online para caixa e garçom ou lavador de pratos, porém sem nenhuma resposta. As semanas foram se passando e meu dinheiro ia ficando escasso. Cheguei nos EUA com $500.00, os quais foram se esvaindo com a passada em Oregon e com o dia-a-dia. Comida é bem barato, porém, não a do tipo saudável. Salgadinhos como Pringles custam $0.99, mas um saco de alface é $3,99. Então em um mês e pouco meu dinheiro diminuiu e minha preocupação aumentou.

emprego nos eua

Fui em restaurantes perto de minha casa e finalmente uma steakhouse me concedeu uma entrevista de emprego, onde expliquei o por que não tinha nenhuma experiência profissional nos EUA – ou seja: o fato de eu ter crescido no Brasil. Com tudo esclarecido, fui contratado como busser, que é um cargo de auxiliar de cozinha e garçom. Corto vegetais, asso pães e encho máquinas com gelo enquanto o movimento está fraco, coleto a louça das mesas, limpo com um pano, tiro o excesso de comida e entrego para o lavador de louça quando o movimento esquenta. Depois de cinco horas de loucura com muitos clientes que desperdiçam muita comida (muito cara, por sinal; um filé custa $45.00), tenho que permanecer e ajudar a limpar tudo para fechar o restaurante para o próximo dia começar tudo de novo. Entro às 17h e saio quando termino de fechar o lugar – o que em dias mais ocupados pode chegar até às 2h da manhã.

Dentro das possibilidades de emprego nos EUA, o salário de um busser, assim como de um garçom, é abaixo do salário mínimo, pois a cultura da gorjeta aqui é bem forte. Além de uma porcentagem na conta, clientes costumam pagar a mais por um bom serviço. Bussers dividem essa gorjeta com os garçons; obviamente os garçons recebem uma parcela maior da gorjeta. O salário mínimo do Texas é de $7.25/hora, e o salário de um busser é $4.50/hora, embora com a gorjeta chegue em média a $11/hora.

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O trabalho é pesado e na cozinha só se fala espanhol, pois todos os funcionários, com exceção dos garçons, são latinos. Muitos sabem inglês, porém alguns não falam uma palavra. Trabalhos mais braçais como este são bem pagos aqui. Um serviço em uma construção recebe $13/hora, um lavador de pratos pode chegar até a $15/hora. Por não precisar de nenhuma especialização, muitos imigrantes aproveitam a oportunidade.

Mesmo sem um emprego, tentei ajudar o máximo na casa, lavar a louça, limpar o quintal, ajudar a cuidar do cachorro. Se você tiver a oportunidade de fazer um intercambio e ficar em uma “host family” sempre ofereça ajuda; americanos valorizam uma pessoa esforçada, e pode se perceber isso pelo salário de trabalhos mais físicos. Por enquanto, mesmo aqui com emprego nos EUA, estou apenas juntando dinheiro para meu objetivo de ingressar em uma faculdade, o que espero que consiga fazer no ano que vem. Vamos ver qual vai ser o próximo passo.

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caiosantanasilveira

Professor, fotógrafo, sashônico, randômico e Mestre das Orcas às terças-feiras