Aragorn – a jornada do herói para se tornar quem sempre foi

O sucesso de personagens como Aragorn em Senhor dos Anéis podem nos levar a diversas interpretações e pensar em vários assuntos diferentes como a identidade humana, por exemplo. Ser quem se é envolve muitas variáveis que vão desde características que podem ter sido herdadas de nossos pais, coisas que escolhemos para nós, ou que achamos conveniente mostrar para os outros, etc. Em tempos de um enorme culto à imagem e à personalidade, com a possibilidade de se expôr em redes sociais ao alcance de todos, tornar-se quem se é parece algo sempre visto pelos olhos dos outros, e não uma viagem para dentro de si mesmo.

Aragorn

 

Aragorn é herdeiro de Isildur e, portanto, o legítimo rei de Gondor. Contudo, suas experiências o fizeram crer que os homens tem o coração muito facilmente corruptível e, assim, ele também não seria diferente. Portanto, decide se afastar de suas obrigações para com o seu reino e deixá-lo nas mãos dos regentes. Assim sendo, o herói, que é o rei por definição, precisa passar por um processo que o transforme em rei novamente.

Aragorn

 

Quando um conflito se aproxima, sabemos que alguma mudança terá de ser feita. No caso da Terra Média, a iminência do retorno de Sauron e do crescimento de seus poderes evocaria uma guerra que poderia acabar com tudo o que já havia sido bom. Naturalmente, uma catástrofe dessa magnitude pode fazer com que a consciência coletiva que existe na Sociedade do Anel traga motivações individuais que norteiam a maneira como cada um deve atuar e o que os guerreiros devem se tornar em prol do bem maior. Dessa maneira, para Aragorn, a trama se desenvolve de tal maneira que fica cada vez mais clara a importância da sua liderança e como todos poderiam se beneficiar do efetivo uso do seu título real. Assim, os momentos de conflito trazem à tona para o personagem quem ele está sendo e quem ele deveria ser.

Aragorn

 

Por fim, no caminho para se tornar quem é, Aragorn precisa, literalmente, enfrentar os mortos e se apresentar como a pessoa que pode libertá-los de sua desgraça — o rei! Com isso, entendemos que, de certa forma, além do conflito que nos traz a ciência de si, é preciso confrontar o passado para, no fim das contas, encontrar a própria identidade. Em suma, Aragorn chega ao final da trilogia dos Senhor dos Anéis como rei de Gondor, herdeiro legítimo do trono, ou seja, exatamente aquilo que ela nunca deixou de ser enquanto vagava por outros caminhos ao mesmo tempo em que rumava sua própria jornada.

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