Resenha | Big Mouth – uma animação entre o mau gosto e a provocação

O texto a seguir pode conter spoilers da primeira temporada de Big Mouth, mas leia mesmo assim.

Quando chegou à Netflix, algumas pessoas imediatamente ligaram Big Mouth a uma possível tentativa da rede streaming ter sua própria Rick and Morty. Talvez esse pensamento esteja correto se pensarmos nesse sucesso do Adult Swim, contudo, a animação de Nick Kroll e companhia tem um viés completamente diferente, contando a história de um grupo de amigos vivendo aventuras durante o bizarro período da puberdade.

Big Mouth

 

Um dos grandes pontos positivos de Big Mouth é que os núcleos de personagens são muito simples e, por todos se conhecerem, as histórias e seus relacionamentos ficam bem amarrados. Fora o núcleo de crianças, temos os pais, que ganham alguma relevância com o caminhar da série e os interessantíssimos monstros dos hormônios que, a partir de um certo momento na vida das crianças, aparecem e ora proporcionam momentos de descobertas naturais e importantes, ora empurram os pré-adolescentes para situações bizarras. Em geral, o humor da série fica entre o errado e o duvidoso — o que para muitas pessoas (eu, por exemplo) é um trunfo.

 

Big Mouth

Contudo, nem tudo na série é realmente divertido. Existem vários momentos com quebras de quarta parede e referências metalinguísticas que são praticamente esfregadas na cara do público, soando tão forçado que parece a série marcando um check numa lista de itens que fazem animações parecerem mais inteligentes. Aproveitando ainda um desses “meta-momentos”, o próprio monstro do hormônio evidencia a parte mais problemática da série: ser uma animação evidentemente adulta com várias crianças se masturbando e tendo suas primeiras experiências sexuais sozinhos, uns com os outros ou com pornografia e também usando objetos menos convencionais. A questão aqui não é uma mera adequação moralista, ou achar que Big Mouth precisa, necessariamente, ter algum viés educativo, mas parece haver uma discrepância entre os temas principais da animação, a forma como eles são transmitidos e o público que o recebe.

Por fim, Big Mouth rende momentos engraçados e provocantes. Assistir certas cenas pode ser uma experiência desconfortável, mas o passatempo, com certeza, vale a pena.


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Professor, redator, editor-chefe deste site. Sou um cosplay de baixo orçamento de mim mesmo. Parceiro do Erik no PontoCast e host do BancaCast. Não sei qual é o meu animal interior, mas não é uma chinchila.