Análise | Missão Impossível e a sua trajetória contrária à de grandes franquias em Hollywood

Ter uma grande franquia atualmente tem sido o desejo molhado de qualquer grande estúdio em Hollywood – até mesmo aqueles que não são tão grandes entraram na corrida para conquistar os seus milhões. Mas isso não é uma tarefa fácil, tendo em vista que, com uma concorrência que tem conseguido se sustentar em notas altas, a comparação pode acabar sendo expressivamente prejudicial e a crítica especializada também não costuma amaciar para muitos desses filmes. Entre universos cinematográficos e sequências de um projeto só, o nosso leque de escolhas tem se tornado grande, mas nem sempre bom. E é por isso que vamos falar de Missão Impossível, a franquia de Tom Cruise que sabe correr contra a maré e caminhar tranquilamente no meio da correnteza.

 

Quando chegou aos cinemas, em maio de 1996, o primeiro “Missão Impossível”, dirigido por Brian DePalma, trouxe consigo uma linguagem que mudou a visão de vários diretores no gênero de ação por contar com sequências que beiravam o impossível – mas que coincidência – e que empolgavam até o último segundo, mantendo essa tradição pelos filmes seguintes como sua marca registrada. Mas mesmo com essa pegada e a utilização de efeitos especiais em diversas dessas cenas, o filme não carregava uma história tão interessantes assim, embora isso tenha sido compensado com boa parte dos elementos do filme. O filme conseguiu arrecadar cerca de 450 milhões de dólares e carimbar um aval positivo para sua sequência, que só viria a ser lançada quatro anos depois.

A espera, porém, se manteve suficiente para alavancar a franquia que estava a dar novos passos, embora não tão assertivos. Isso porque o segundo filme, “Missão Impossível 2”, que dessa vez era dirigido por John Woo, conseguiu arrecadar mais que o seu antecessor, mesmo agradando menos. Se não fosse pela sua arrecadação, fechando na casa dos $546 milhões de dólares – tendo ficado nos cinemas por aproximadamente cinco meses -, o filme dificilmente conseguiria escapar com vida para chegar ao seu terceiro capítulo, já que, dessa vez, tanto os críticos quanto o público deram avaliações negativas para o filme.

Depois de algum tempo para respirar, Ethan Hunt voltou em um projeto melhor estruturado e que se mostrava preparado para reescrever o gênero de ação – e a própria franquia pela primeira vez. Nas mãos de J.J. Abrams, que dirigiu e escreveu o filme, “Missão Impossível 3” trouxe a franquia para um novo patamar. Deixando de lado a ação só pela ação e colocando algumas camadas a mais, incluindo a ótima adição de Philip Seymour Hoffman como antagonista, a terceira aventura espiã de Tom Cruise decidiu o que queria ser e desempenhou um papel muito importante para essa história, mesmo sendo o filme com a arrecadação mais modesta até agora – “Missão Impossível: Efeito Fallout” ainda não bateu os números de bilheteria do terceiro filme da franquia, mas continua em cartaz até o momento. O longa finalizou seu circuito com quase 400 milhões de dólares, tendo ficado por dois meses em cartaz – o que também o tornou o filme da franquia com menos tempo nos cinemas.

Mas a grande mudança chegou com a segunda pausa da franquia. Depois de três filmes, muitos estúdios decidem pôr um final nas suas franquias, fechando-as como trilogias, e como o terceiro missão impossível, por mais que tenha sido um grato retorno para a história de Ethan, acabou desempenhando um papel abaixo das expectativas da Paramount, era de se esperar que a história do personagem chegasse ao fim. Mas eis que a verdadeira revitalização chegou. Brad Bird (“Os Incríveis“), liderou uma nova fase em 2011 que tornaria missão impossível a série de filmes que conseguia se superar a cada sequência. “Missão Impossível: Protocolo Fantasma” chegava cheio de estilo, classe e ultrapassava todos os erros cometidos anteriormente com maestria a ponto de se tornar um filme de espionagem quase perfeito. Seus acertos foram tamanhos que além de arrecadar quase 700 milhões em sua bilheteria final, recebeu apenas dezesseis avaliações negativas de duzentas e vinte e duas registradas no site Rotten Tomatoes – o que acabou se tornando normal nos próximos anos.

missão impossível

A essa altura, já deu para perceber que Tom Cruise é imortal e que esses filmes vão durar para sempre, e já que escalar um prédio não é o bastante para ele, melhor seria pegar uma carona do lado de fora de um avião. E é exatamente isso que ele faz, pois também é uma das principais causas do sucesso de “Missão Impossível”. Em “Missão Impossível: Nação Secreta” a criatividade dessa franquia já tinha alcançado níveis extremos, e se tornou indiscutível a habilidade que Tom tinha para carregar tudo isso em suas costas.

O segundo filme dessa nova fase de situações inventivas que beiram o absurdo conseguiu repetir sua dose de sucesso. Sem contar com Brad Bird, Christopher McQuarrie assumiu o posto que reprisa agora em 2018 em “Missão Impossível: Efeito Fallout” dando uma aparente conclusão mais que satisfatória depois de doze anos. E se formos para outras franquias que chegaram a tantas sequências, a única que caberia a comparação seria a saga de Dominic Toretto em Velozes e Furiosos e que mesmo assim não alcançou avaliações tão positivas quanto as dos três últimos filmes de missão impossível, o que só mostra o quão divergente tem sido essa caminhada que foi reescrita mais de uma vez, mas que enfim deixou uma excelente reputação para a posteridade.

 


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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.