Tomb Raider (2018) e a saga das adaptações de jogos para o cinema

E a saga das adaptações de jogos para as telonas ganhou mais um título de peso esse ano. Desta vez se trata do reboot para uma franquia que já deu as caras no cinema, “Tomb Raider”. Vamos aproveitar a deixa e falar um pouco sobre como essas adaptações estão se saindo e se elas realmente estão tendo espaço o suficiente para crescer.

Começando com “Tomb Raider: A Origem”. Diferente da primeira versão que acompanhamos lá no início dos anos 2000, com a maravilhosa Angelina Jolie, temos aqui uma obra que segue muito mais as estéticas do jogo no qual ela foi inspirada – “Tomb Raider”, de 2013, que desde o seu lançamento arrancou diversos elogios pela história, gráficos e jogabilidade muito bacana. No filme de 2018, encontramos cenas que mais parecem cutscenes tiradas do próprio jogo e colocadas no filme, que fazem com que o telespectador que já está familiarizado com os jogos sinta aquela impressão de que a qualquer momento aparecerão comandos na tela para que ele possa interagir com o filme – mui loko. Juntando a isso o fato de Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa) ter sido uma escolha muito boa para o papel entregando uma Lara mais do que convincente.

adaptações de jogos

Mas nem tudo são flores nesse universo de adaptações de jogos. O filme já começou gerando uma certa divisão entre a crítica, que parece não ter comprado totalmente a origem que é contada nesse filme. Mas, se olharmos agora para produções semelhantes que também tiraram suas inspirações de jogatinas intensas – e frustrantes quando não se é a melhor pessoa com um joystick na mão 🙂 – vemos uma breve semelhança: eles dificilmente conseguem agradar os fãs, a crítica e o público que não se encaixa em nenhum desses dois grupos. Parece que não é demérito só da Lara.

Com alguns nomes escolhidos, vamos fazer uma pequena análise do desempenho de alguns filmes, começando por “Assassin’s Creed”. Lançado no finalzinho de 2016 – chegando aqui no Brasil em janeiro de 2017 – o filme protagonizado por Michael Fassbender foi apedrejado por diversas criticas negativas assim que deu caras ao mundo. Mesmo contendo uma estética muito semelhante a dos jogos, com uma mudança pequena aqui, uns elementos novos ali, o filme optou por contar uma história própria que deixou até o público bem murchinho. Com apenas 5,8 no IMDB, e uma arrecadação honesta de pouco mais de U$ 240 milhões de dólares o filme não bateu suas metas e até hoje não teve sua continuação confirmada. Para os fãs que gostaram, resta a esperança de que pelo menos nos jogos a franquia está caminhando bem.

Um pouco mais cedo, no mesmo ano, tivemos também uma franquia volátil, cheia de variações e que alcançou públicos de diversas faixas etárias. Recebendo sua oportunidade de brilhar nos cinemas de todo o mundo com seu protagonista mais do que carismático e amado pelo povo, “Angry Birds: O filme” arrancou sorrisos de várias crianças. Embora tenha recebido uma avaliação morna da crítica, conseguiu se sair melhor que nosso coleguinha anterior. Com diversos nomes bastante conhecidos no elenco, como Jason Sudeikis (“Colossal”), Josh Gad (“Assassinato no Expresso do Oriente“), Peter Dinklage (“Game of Thrones“) e Bill Hader (“Power Rangers“), era de se esperar que pelo menos na área da comédia – gênero que o filme procura abraçar bastante –  ele se saísse bem, mas acabou deixando a desejar tanto no humor quanto na história. O lado positivo foi que, como o filme é uma animação – diferente de vários outras adaptações de jogos -,, o publico infantil foi um alvo certeiro, garantindo mais de U$ 352 milhões de dólares mundialmente e uma sequência que está prevista para chegar aos cinemas em setembro de 2019.

E olha só, mais um filme de 2016 – que ano bom para adaptações de jogos, não é mesmo? . “Warcraft” foi uma promessa que movimentou milhares de pessoas que se viram muito animadas para presenciar toda a grandiosidade daquele universo estampada em várias polegadas. Com um diretor que cresceu acompanhando aquelas histórias e os seus personagens, era de se esperar que o filme seria cheio de vida, experiências e sensações inesquecíveis. Mas, tirando o visual e os efeitos do filmes, que são espetaculares, o resto veio em desvantagem. Com uma abordagem que pouco fazia entender onde cada coisa se situava naquele universo e com a apresentação de alguns personagens de uma forma bastante desinteressada. O filme acabou tropeçando nos próprios pés e deixando nas mãos da China a esperança de escapar do prejuízo e de poder pensar em uma possível sequência – que até hoje não foi confirmada e dificilmente será. Mundialmente, o filme alcançou a casa dos U$ 433 milhões de dólares, sendo que U$ 213 milhões vieram só da China.

Mas o que isso representa nos finalmentes? Bem, para início de história vemos que sim, ainda existe um espaço para adaptações de jogos. Mas ao mesmo tempo que esse espaço é dado, é fácil de perceber que todos eles acabam errando em um ponto que desequilibra a balança. Se esteticamente é muito fiel, o roteiro deixou a desejar; ou filme não conseguiu conversar com um público que está além dos fãs dessas franquias; ou decidiram ir por uma caminho mais “fácil” para pelo menos garantir um bom desempenho nas bilheterias. Seja qual for o problema encontrado ou as decisões que foram feitas durante o processo de produção desses filmes, uma coisa fica bem clara: a adaptação perfeita ainda não chegou às telonas.

 


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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.