A Visita (2015) um suspense raso sobre ressentimento (sem spoilers)

Apesar de ter começado a sua carreira como roteirista e diretor nos gêneros de drama e de comédia, foi em 1999, com o suspense “O Sexto Sentido”, que M. Night Shyamalan se destacou. Antes de retornar com maestria com o excelente longa “Fragmentado, foi ensaiando com o filme “A Visita” que Shyamalan pôde agradar mais uma vez com o gênero depois de muito tempo. Quando lançado em 2015, “ A Visita” conquistou muitos elogios vindos do público e crítica, mas só agora, depois de muito adiar e até mesmo esquecer, que decidi conferir a película. De fato, o filme é interessante, mas a sensação no final se resulta apenas como um filme “ok”.

A sua trama é simples. Por algum motivo do passado, Loretta (Kathryn Hahn) deixou de falar com os seus pais desde que foi embora de casa quando tinha 19 anos. Isso se manteve até que eles a encontraram através das redes sociais e decidiram conhecer os seus netos, Tyler (Ed Oxenbould) e Becca (Olivia DeJonge). os quais são convidados a passar uma semana na fazenda onde vivem, em Masonville, Pensilvânia. Com a ajuda do seu irmão, Becca decide gravar esta breve estadia num formato de documentário (o que rende o estilo do longa) a fim de aliviar a mágoa e tensão entre sua mãe e seus pais (interpretados por Deanna Dunagan e Peter McRobbie). Os irmãos só não contavam que, chegando na casa, iriam testemunhar atividades estranhas no dia a dia de seus avós.

É o arrependimento de Loretta que move o filme; presos entre o rancor e a vontade de melhorar, tanto Loretta quanto seus pais veem nas crianças uma oportunidade de mudança de vida e de reescrever uma nova história. Notando que as consequências disso no decorrer do filme é o horror, entende-se que a culpa e o arrependimento trouxeram como frutos todos os terrores que os personagens precisam enfrentar.

a visita

Mesmo com essa temática, assumir um caráter cômico foi uma das melhores coisas do filme, como também é um elemento que funciona sem precisar forçar. Porém, indo além disso, deixa a desejar no ritmo que foi conduzido e, ainda que sua narrativa siga o estilo found footage, a fim de criar uma experiência perturbadora enquanto acompanhamos o desenrolar através da lente da câmera de Becca, só colaborou para deixar a coisa mais chata de assistir, fazendo com que as sequências soassem repetitivas, sem conseguir envolver.

Outro aspecto que impede “A Visita” de ser melhor explorado se deve por ser tão didático no seu feito e isto fica claro desde os primeiros minutos, não por servir como base para os personagens, mas por parecer mastigado, e a situação se intensifica quando não consegue usar isso para se aprofundar nas histórias de Tyler e Becca. O desenvolvimento estava presente, mas não conseguia funcionar com o apelo necessário, o que deixa um elenco carismático no raso. O mesmo não pode se afirmar sobre o desempenho de seus avós (Nana e Pop Pop, como são chamados), o que vale também para os seus intérpretes que realmente se sobressaem em suas cenas.

Em suma, “A Visita” pode não ser um thriller envolvente, mas que ainda consegue ser divertido e competente no quesito terror. E quando parecia que nada aconteceria para revelar a sua trama, eis que o desfecho desvia o longa totalmente do caminho pessimista que seguia, e entrega uma intensa e angustiante reviravolta. No mais, ainda que tenha sido didático, levanta sua reflexão: pior do que carregar mágoas é ter que viver sob o peso opressor dos arrependimentos.

The following two tabs change content below.

Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.