Resenha | A Vingança Perfeita (2018) peca pelo excesso

Se você já conhece Margot Robbie, sabe que seu talento e beleza são fatores que chamaram bastante atenção nos filmes em que ela atuou, seja como protagonista – em “Eu, Tonya” por exemplo – ou como coadjuvante – em “O Lobo de Wall Street” -, sua presença em tela consegue inverter o jogo e muitas vezes até tira a atenção de quem esteja contracenando com ela. Acompanhando sua ascensão, é normal vermos projetos e mais projetos vindo e, na grande maioria deles, colocando Margot como a grande estrela para carregar o filme. Essa, com toda certeza, foi a intenção por trás de “A Vingança Perfeita”, por ter uma personagem que demanda uma desenvoltura que muitas atrizes não conseguiriam entregar da mesma forma. A australiana foi a escolha certa, mas nem sempre um bom ator consegue salvar um filme ruim.

Título: A Vingança Perfeita (“Terminal”)

Direção: Vaughn Stein

Ano: 2018

Pipocas: 4/10

Margot interpreta Annie, uma garçonete com um gosto um tanto quanto peculiar de apreciação da morte – que a primeira vista pode até mesmo indicar que ela seja um pouco insana -, que trabalha em uma lanchonete próxima a um terminal de metrô. Não se sabe muito da personagem e isso acaba despertando interesse sobre a sua vida, principalmente por causa do ar irreverente dela. Quando Bill (Simon Pegg, “Missão Impossível: Efeito Fallout”) espera por um metrô que aparentemente não virá, ele se dirige para a lanchonete onde Annie trabalha depois de receber uma indicação do zelador do terminal sobre o local. O filme começa a desenvolver sua narrativa de fato quando Bill e Annie se encontram na lanchonete e começam a conversar sobre a morte, enquanto acompanhamos uma segunda narrativa que parte de Vince (Dexter Fletcher, “Kick-Ass: Quebrando Tudo”) e Alfred (Max Irons, “The Wife”), matadores de aluguel, que foram contratados para um trabalho misterioso em que eles não conhecem a sua vítima nem o seu empregador.

O filme é interessante e o seu visual é belíssimo. Desde as ambientações, que misturam muito do neon em várias placas pela cidade e nos apartamentos velhos em tons que reforçam a sua idade aparente, até a fotografia que traz enquadramentos belíssimos em vários momentos. Sem falar que a trilha sonora também traz uma ambientação bacana para o filme. O grande contraponto aqui é o fato do filme ser muito jogado de vez em quando. Existem duas linhas de história que estão diretamente ligadas e que levam o filme para um desfecho até inesperado. Um núcleo acaba sendo mais envolvente que o outro, fruto diretamente da forma como Irons e Fletcher interagem entre si, e que gera a maior parcela de bons momentos vistos no filme, mesmo que a relação entre Pegg e Robbie também agrade, principalmente mais para o meio do filme.

“A Vingança Perfeita” não é um filme longo, pelo menos quando olhamos para a sua duração, já que ele tem somente 95 minutos, mas ao assistir a sensação é oposta. O filme demora para caminhar com uma sintonia que faz o espectador perder a noção de tempo. Ao invés disso, foi comum eu dar uma checada no relógio para saber quanto tempo ainda faltava. Em compensação, quando o filme conseguiu atingir o seu ápice, ele realmente indicava que se tornaria um gigante, até ser acertado pela primeira pedra que veio em sua direção.

a vingança perfeita

O filme constrói um cenário que acaba se mostrando bastante inteligente, induzindo a história para o inesperado de fato. Mas ele joga isso fora de uma maneira tão fácil – e absurdamente ridícula – que nos minutos finais eu tive o desejo de sair pulando alguns momentos para que ele terminasse logo. Existe muita informação contida no filme que sustentaria seus 95 minutos sozinhos, sem a necessidade de uma segunda narrativa, muito menos de uma segunda reviravolta.

 

“A Vingança Perfeita” é um filme que tem um estilo próprio, e isso é muito bacana. Tem um elenco muito bom que não deixa a desejar na maior parte do tempo – acontecem alguns exageros da parte da Margot, mas isso pode ser considerado para muitos como uma das diversas características da sua personagem – e tinha uma ideia inicial que, se contada sozinha, possivelmente teria se saído bem melhor que o que foi entregue.

 


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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.