Resenha | A Torre Negra (2017) – o protagonismo da mediocridade

Em 2017, tivemos algumas tentativas de criar ou dar continuidade a vários universos cinematográficos, coisa que tem se mostrado um tanto quanto comum ultimamente. Mas, mesmo que a indústria tenha abraçado essa solução para fazer seus rios de dinheiro duplicarem, ainda é uma fórmula que depende de muitos fatores e, principalmente, de identidade. Seguindo essa linha de raciocínio, em agosto deste mesmo ano, a Sony Pictures Entertainment lançou uma aposta para criar seu próprio universo e assim fazer sua nova franquia de sucesso baseada em obras literárias. Nesse caso, usando como base um livro internacionalmente conhecido: “A Torre Negra”, de Stephen King.

a torre negra

 

Título: A Torre Negra (“The Dark Tower”)

Diretor: Nikolaj Arcel

Ano: 2017

Pipocas: 5.5/10

Em “A Torre Negra” somos apresentados a Jake (Tom Taylor), um jovem menino que, após passar por uma tragédia familiar, começa a ter alguns sonhos que, segundo seu próprio psicólogo, são consequências diretas do ocorrido. Sempre desenhando as informações vistas em suas “visões”, Jake começa a criar um possível universo que ele mesmo não conseguia entender mas acreditava de forma fervorosa que era real. Após deixar a mãe e seu padrasto – que no fundo só queria se livrar de Jake – bastante preocupados após um incidente na sua escola, ele descobre que será levado para uma clínica para cuidar do seu problema. É nesse momento que a vida dele sofre aquele velha virada de rumo levando-o de encontro a tudo o que já havia visto em sonhos.

Depois de ser inserido nesse mundo através de um portal, Jake encontra um dos personagens vistos e desenhados por ele. É nesse ponto que conhecemos Roland (Idris Elba) um antigo pistoleiro que perdeu tudo lutando contra Walter, o Homem de Preto (Matthew McConaughey), e que atualmente vive em função do desejo de encontrar a justa vingança pelo que aconteceu com seu pai. Esse é um ponto bastante relevante na história, mas o foco principal está mesmo na torre que se faz referenciada no titulo do filme. Walter tenta a todo custo destruir essa torre usando a mente de diversas crianças que se encontram reunidas ao redor de uma espécie de cúpula onde o vilão vive.

A mitologia que “A Torre Negra” apresenta é até bastante interessante. Existem algumas sugestões de divisões de classes sociais e outras áreas que poderiam ser exploradas com um pouco mais de calma, afinal o filme tem aproximadamente 95 minutos. A metragem pode ser considerada pouca para um filme que deveria servir como porta de entrada para um novo universo – pelo menos quando comparamos a filmes com propostas semelhantes – mas a vantagem é que ele se mantém bastante enxuto. A linha narrativa é bem direta, não existem tantas cenas de ação no filme – especialmente alguma que empolgue – a não ser a que acontece quando o filme caminha para o seu desfecho.

O que acaba sendo mais frustrante nessa experiência toda é que nem mesmo tendo no elenco a disponibilidade de dois atores extremamente talentosos nos papéis de maior peso – e um ator mais novo que, mesmo não tendo um nome tão conhecido, desempenha de forma bastante decente o seu papel – e as possibilidades de saída e possível expansão da história, o filme se resume a, basicamente, repetir tudo o que já foi feito em outros filmes.

Claro que ultimamente ser original tem sido bem difícil, mas nem mesmo lembrável o filme conseguiu ser. Talvez a grande jogada tenha sido a escalação de Idris e Matthew que, com certeza, podem ser ditas como os granes acertos do filme. Matthew McConaughey consegue entregar um vilão genérico e raso com uma atuação tão boa que acaba tirando a atenção dos problemas de desenvolvimento do personagem – isso salvou uma boa parte do filme para mim.

A história não trouxe nenhuma novidade, não empolga mas também não chega a ser uma baita decepção – pelo menos para aqueles que não leram a obra original, como eu. Na tentativa de emplacar a novidade cinematográfica que seria acompanhada por muitos nos próximos anos, “A Torre Negra” não fez mais do que o básico e vacila em entregar um filme que vá além da sessão pipoquinha se tornando mais um que não escapou da mediocridade.

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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.