A Teoria de Tudo (2015)

“Não importa o quão ruim a vida pareça, sempre haverá algo que você poderá fazer e ser excelente. Enquanto houver vida, há esperança.”

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Título: A Teoria de Tudo (“Theory of Everything”)

Diretor: James Marsh

Ano: 2015

Pipocas: 8/10

Biografias são o retrato da vida de alguém sob uma perspectiva específica. Quando Jane Wilde Hawking escreveu “Travelling to Infinity“, livro no qual o filme acima foi baseado, toda a visão que ela tinha de seu genial ex-marido foi transposta para as páginas do livro. O mesmo se deu quando a história voou das páginas às telas; vemos a vida de Stephen Hawking através de lentes romantizadas e idílicas que, embora torne o filme encantador, nos faz nos perguntar até que ponto a história foi realmente baseada em fatos.

A coluna do filme, claro, é a mesma do livro e da vida do genial Stephen Hawking (Eddie Redmayne, de “Les Misérables”); utilizando o relacionamento dele com sua futura (ex-)esposa Jane (Felicity Jones , na crista da onda e lindíssima) como espinha dorsal, vemos suas conquistas no campo acadêmico enquanto sua saúde rapidamente se deteriora – e Jane luta para manter sua família funcionando apesar do caos que se instala.

O filme tem cara, cheiro e ritmo de filme britânico; não nega sua origem, e seu tom intimista nos faz esquecer que já sabemos o futuro dos personagens e torcer para que Hawking se recupere e se mantenha estável com Jane. A cinematografia nos mantém atrelados ao recorte temporal proposto, e vemos o tempo passar principalmente através do estilo de roupa e penteados que Jane usa.

Todos esses são sinais de uma direção delicada e sensível, que tenta não apelar para a dramaticidade exacerbada que ameaça tragar o filme a qualquer momento – afinal o homem fica paralisado e somente capaz de se comunicar através de um computador. Se não fosse baseado em fatos, diríamos que a história é exagerada, mas esse é um dos casos que a realidade supera a ficção.

Porém não muito. Vemos um Stephen Hawking complacente e extremamente doce – o que destoa do livro original e do que já se sabe da figura dele. Isso não importaria para o filme, se isso não ficasse latente durante a projeção em si; é inevitável pensar em alguns momentos, “ninguém reagiria dessa forma”. Ainda assim, mesmo os exageros são levados com maestria por Eddie Redmayne, numa atuação totalmente segura e surpreendente.

Seja como for, compramos com mais facilidade toda esta fanfarra simplesmente por ser uma fanfarra anunciada. Nos momentos iniciais do filme já conseguimos sentir o clima de romance shakespeariano – de uma tragédia predestinada a acontecer, bela e catastrófica exatamente por ser inevitável. A medida que os fatos seguem este caminho, por mais que as ações de alguns personagens sejam incongruentes, não chega a incomodar de fato.

“A Teoria de Tudo” é um filme que, apesar de seu título, não se propõe a abraçar o mundo com as pernas; ele sabe quais são suas limitações, sabe a que se propõe e se desenrola com um afeto ímpar – aos seus personagens tão ficcionais, ao seu clima e à sua história. É preciso dizer que, embora se teorize sobre pouco durante o longa, reside fora do campo racional o maior trunfo do filme – a capacidade de sentir.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.