A Piada Mortal (2016)

“Apenas um dia ruim.”

Batman-The-Killing-Joke

Título: A Piada Mortal (“The Killing Joke”)

Diretor: Sam Liu/Bruce Timm

Ano: 2016

Pipocas: 9/10

Não é novidade para ninguém que acompanha o mundo dos quadrinhos e dos desenhos animados que a DC, recentemente, tem sido muito mais bem sucedida nessas mídias do que cinema. Basta compararmos a quantidade de críticas negativas a BvS ou, mais recentemente, ao Esquadrão Suicida, a repercussão das séries animadas. A questão é que não parece que isso seja uma daquelas picuinhas da opinião crítica, mas a diferença na qualidade dos trabalhos é perceptível.

E assim, lançado em cinemas selecionados, chegamos à animação “A Piada Mortal” baseada na revista icônica escrita por Alan Moore e desenhada por Brian Boland em 1988. A equipe criativa do longa tem grandes nomes da editora, como, por exemplo, Bruce Timm (responsável pela maravilhosa Batman: The Animated Series) ao lado de Sam Liu na direção e Brian Azarello como roteirista. Além disso, Mark Hamill (Luke Skywalker), dublador clássico do Coringa, está lá junto com Kevin Conroy (Batman) e Ray Wise (Comissário Gordon) no time de vozes. Acredito que isso feche bem a ficha técnica; agora, falemos do plot. Com exceção dos primeiros trinta minutos de filme, aproximadamente, a adaptação é extremamente fiel ao material de partida, o que, como veremos, é uma faca de dois gumes.

Batman-A-Piada-Mortal-Trailer

Qualquer um que tenha lido A Piada Mortal sabe que esse é um quadrinho pequeno. Se comparado a outras grandes sagas que duraram inúmeras edições, a perturbadora história é muito menor e isso cria um problema estrutural básico no roteiro. Mesmo adaptando página por página, o filme ficaria muito curto, nesse caso, a equipe decidiu enxertar um algo a mais na história, e aí está o único problema (que é realmente ruim). Barbara Gordon foi escolhida par ter um desenvolvimento especial no início do filme, a princípio ela ganha bastante foco e tempo de tela, muito mais do que o Batman e que o Coringa, que a essa altura é apenas uma promessa. Como diz o ditado, “de boas intenções, o inferno está cheio“, e a ideia de Azarello era jogar esse holofote em Barbara para empoderá-la, mostrando uma mulher forte, mas não foi isso que as pessoas viram quando o filme saiu.

Infelizmente, parece que o tiro saiu pela culatra, e o que vemos é uma Batgirl ainda em treinamento que é imatura, irresponsável e insubordinada, comportamento muito diferente da garota que viria a se tornar a Oráculo. E para colocar a cereja no bolo, as cenas bobas e sem sentido da filha do Comissário Gordon ainda foram coroadas com um relacionamento problemático com o Morcego, o que causou um episódio de discórdia e ofensas na última edição da San Diego Comic Con, por parte de membros da imprensa, fãs e, inclusive, o próprio roteirista Brian Azarello.

tkj-batgirl-179194.png

Porém, como dito inicialmente, esses são problemas que ficam restritos apenas ao primeiro ato, já que uma das primeiros ações do Coringa é tirar Barbara de circulação, no momento em que sequestra seu pai “apenas” para provar um teoria. A partir daí o roteiro da HQ aparece com muita fidelidade na animação, o que pode ser considerado o grande mérito e ponto alto, porém cheio de incômodos inerentes ao próprio trabalho nos quadrinhos.

Mes Alan Moore, que pediu para ter o seu nome retirado dos créditos finais da animação, diz não se orgulhar de ter escrito A Piada Mortal e que o Batman é um personagem muito simples para receber a carga de informação que lhe foi imputada. Mais uma vez, o Bruxo está certo! O argumento é clássico, e essa animação é muito boa, mas histórias de super-heróis com esse nível de violência (física, verbal e metal) e insanidade podem ser demasiadamente chocantes. É claro que esse não um viés generalizado ao olhar a obra, mas é preciso ressaltar que, em vários momentos, parece que recebemos uma carga muito maior de agressão do que estávamos acostumados com produtos desse gênero.

killingjokeclip-imagem01.jpg

Concluindo, a animação é muito bem feita e, fora toda a primeira parte, bem adaptada, respeitando bastante o material de origem (talvez até demais). Os maiores desconfortos que se tem ao assistir A Piada Mortal são, praticamente, os mesmos causados pela polêmica história em quadrinhos. Nesse caso, o sucesso é completamente inegável, e para DCnautas de plantão, fica o desejo do Universo Cinematográfico imitar a qualidade alcançada nas animações.

The following two tabs change content below.