Lista #25: Os clássicos e a onda forçada de remakes

Para tudo sempre há a primeira vez. Mas, em se tratando de filmes, muitas vezes apreciamos alguns longas sem nem mesmo saber que são remakes. O que não é um problema, porque, mesmo passando por algumas alterações, eles podem funcionar melhor do que o seu original. Trabalhar no reboot de uma obra é o que mais podemos ver dentre os vários lançamentos de filmes que temos todo ano. O recente “A Múmia” ou “Mad Max – Estrada da Fúria” são alguns exemplos. Por que não investir em recontar a história de um clássico ou até mesmo trabalhar em um prelúdio? Certo é que alguns são exceções e comprovam serem dignos de elogios no meio de tantos roteiros meia boca, como também, foram através deles que guardamos boas – ou más – lembranças das novas versões.

Por isto, venho listar brevemente cinco remakes, focados em filmes nos gêneros de terror e suspense que, sendo eles completos desastres ou não, merecem estar nessa lista. Então, venha e confira.

Scream Tv Series (2015-atual)

O primeiro dos remakes desta lista não se trata de um filme, e sim, de uma série. Não, não é um erro. Assim como são frequentes os reboots no cinema, também tem sido para as séries. Um exemplo disso, é a série “Shadowhunters”, baseado na saga de livros “Os Instrumentos Mortais” da autora Cassandra Clare, que não teve muito sucesso na sua adaptação no longa “Instrumentos Mortais – Cidade dos Ossos” em 2013, mas que felizmente encontrou o seu caminho na adaptação em formato de série.

Remakes

Agora, falando de “Scream Tv Series”, não se pode se dizer o mesmo. Baseada no famoso filme slasherPânico” de 1996, que na trama traz um assassino mascarado aterrorizando os jovens na cidade fictícia de Woodsboro. Devido ao seu enorme sucesso, ganhou mais três longas: Pânico 2 (1997), Pânico 3 (2000) e anos depois, voltou da melhor maneira possível, de certa forma encerrando a saga de filmes com Pânico 4. Após tanto esperarmos por um sinal verde, eis que a MTV aprova o piloto da série, confirmado dez episódios para a sua primeira temporada.

Logo vieram as primeiras informações, apresentando os personagens e a mudança da icônica máscara do assassino da franquia de filme. Tendo como base quase a mesma trama dos filmes, só que se passando na cidade de Lakewood. Diante de duas temporadas, e tentando se manter de pé por conta da baixa audiência, “Scream Tv Series” não alcançou os feitos dos filmes. Não é por muito homenagear o material base nem pelo carisma dos personagens que a série se tornaria boa. Scream para TV não tem o mais importante: a essência de um terror, que se limitava com pequenos momentos.

OBS.: Uma terceira temporada chegará em breve, passando também com apenas seis episódios que irão definir o futuro da série.

A Casa de Cera (2005)

Remake dos remakes. Primeiro veio o filme “Os Crimes do Museu”, de 1933. Depois, seu bom remake “Museu de Cera”, em 1953. E em 2005, mais uma refilmagem foi feita e é aí que o segundo reboot desta lista entra. Mesmo que não tenha sido um sucesso de bilheteria, há os que curtem e os que não curtem a versão deste longa. A sua trama não foge dos clichês do gênero: grupos de amigos que inventam de estar nos lugares mais esquisitos que não deveriam, por alguma diversão, até que um assassino à solta resolve aparecer e pôr um fim nisso. A ideia era assistirem a um jogo de futebol, mas por conta de alguns imprevistos, não é o que sucede para os seis amigos.

remakes

Como eu disse, muitos podem não gostar do filme, que usa apenas o necessário do longa de 1953, mas que constrói uma história tensa que sustenta a sua trama – que apesar de sua descrição, não é boba e muito menos teen –  com o mesmo tom. A medida que nos envolvemos, passamos a apreciar o que se apresentou primeiramente com uma narrativa lenta. Mais do  que isso, “A Casa de Cera” dificilmente foi feito para ser esquecível, diante de tantas sequências de tirar o fôlego e um desfecho para lá de empolgante. Com isto, “A Casa de Cera” é, sim, um filme que não decepciona com o apelo para o seu gênero, e o melhor, se finda como um bom remake.

Psicose (1998)

De tantos remakes, o terceiro filme dessa lista não poderia ficar de fora. A primeira adaptação do livro homônimo de Robert Block, foi na direção de Alfred Hitchcock, em 1960, o que resultou em mais três sequências bem medianas. Enquanto isso, antes do quarto filme da franquia, em 1987 um filme feito para TV foi produzido, titulado “Bates Motel”. Mais tarde, em 2013 ganhou uma série do mesmo nome, pelo canal A&E, que recentemente foi encerrada em sua quinta temporada. Diante de tantas versões, nada se compara ao terrível remake de 1998.

Remakes

Ainda que o diretor Gus Van Sant tenha optado por repetir quadro a quadro da direção do longa de Alfred Hitchcock, não compensa o feito do filme. E querer ser mais fiel possível do grande clássico, não adiantou muito, pois acabou deixando as cenas vagas e sem nenhuma autenticidade, simplesmente as tornando automáticas e até mesmo desconfortáveis para tentar passar algum carisma. Outro fator que o compromete é por se exceder demais nas suas mudanças, isto inclui diálogos e sequências. No mínimo, quem manteve um pouco dos personagens originais foi o amante de Marion (Anne Heche), interpretado por Viggo Mortensen e o detetive Arbogast (William H. Macy). Os demais deixaram a desejar e sofreram uma descaracterização, principalmente Norman Bates, graças a atuação caricata de Vince Vaughn. De todos os interpretes do jovem Norman, este não se encaixa com o seu personagem.

Com isto, “Psicose”, é a prova concreta de quando um remake tende a ser ruim; não há mais nada a se fazer do que ser lembrado por todas as suas combinações de fatores pífios que contribuíram para o seu resultado.

Quando Um Estranho Chama (2006)

O quarto dos remakes desta lista é um tanto curioso. Mesmo que o seu original não seja um filme excelente, pelo menos sabe ser tenso e envolvente, o que o longa de não 2006 não sabe fazer. A trama se baseia numa lenda urbana chamada “The Babysitter and the Man Upstairs” que segue a mesma ideia do início do filme.

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Aliás, o início do longa de 1979 é uma das melhores coisas que já assisti. Geralmente, se não trata de eventos que antecedem a trama principal, filmes do gênero tendem a apresentar uma introdução de poucos minutos a fim de causar destaque ou passar a impressão de que a audiência verá muito mais no seu decorrer. No entanto, desde os primeiros minutos, “Quando O Estranho Chama” usa um bom suspense e proporciona, por quase trinta minutos, sem mesmo apelar para outros fatores, uma sequência de pura tensão. Eu disse que o filme sabe ser tenso, mas é quando quer, porque decide se deslocar por um caminho diferente, dar voltas em momentos poucos interessantes para depois voltar a ser como no começo e mais uma vez tirar o fôlego. Mas ainda assim não é de todo ruim.

Já o seu remake de 2006 peca por pegar o que aconteceu nos primeiros trinta minutos do seu original e desenvolver por quase uma hora e meia de duração. O que poderia ser uma boa sacada, mas tenta se fazer bom com jumps scares seguidos de um tom extremamente anticlímax, como se já não bastasse ser genérico. Com isto, “Quando Um Estranho Chama” se esforça para ser melhor que o seu original, mas acaba se perdendo na própria ideia resultando em um dos remakes mais fracos e esquecíveis.

A Morte Pede Carona (2007)

Diferente do excelente clássico de 1986, não sucedeu um segundo filme – o qual se define como mais uma sequência que tenta repetir a fórmula do antecessor, mas acaba fracassando – mas ainda assim, obteve um bom feito para o seu gênero. Na trama, o jovem casal Jim Halsey (Zachary Knighton) e Grace Andrews (Sophia Bush) têm o que poderia ser uma doce viagem interrompida depois que passam a ser perseguidos por um cara misterioso, que anteriormente, lhes havia pedido carona.

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Eu já disse ao longo deste texto como a trama tão boa de um filme se perde no desenvolvimento do seu remake, o que não acontece aqui. Apesar de ousar alterando um arco esperado para já assistiu ao seu original, não deixa a desejar e apresenta um thrillher tenso quanto. Só por isso, “A Morte Pede Carona” merece estar nessa lista e ocupar o título de um remake bem elaborado.


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.