A Onda (2008)

Título: A Onda (“Die Welle”)

Diretor: Dennis Gansel

Ano: 2008

Pipocas: 8/10

Lançado em 2008 na alemanha (2009 no Brasil) e baseado num romance sobre uma experiência pedagógica semelhante, A Onda (“Die Welle”) é um filme alemão que conta a história de Rainer Wenger (Jürgen Vogel), um professor de história que, a contragosto (devido à sua personalidade), ficou encarregado de ministrar um curso de uma semana sobre autocracia para seus alunos de ensino médio.

Um dos temas comuns à autocracia é a ditadura e, como o cenário do filme é a Alemanha, seria impossível que os alunos não mencionassem o nazismo. O que é curioso é a postura totalmente cética dos jovens estudantes em relação a existência da possibilidade de um país com a democracia solidificada retornar à ditadura. Pensando nisso, Wenger, um professor nada ortodoxo, resolve desenvolver uma experiência social com os alunos, criando na sala de aula um micro-cosmos que imite um sistema autocrático. Tudo se inicia com posturas simples. Ele se elege o líder da sala, passa a ser chamado por Herr Wenger (Senhor Wenger), alinha as carteiras (dissolvendo os grupos), pede que os alunos corrijam suas posturas e que se levantem ao falarem e que digam o que quer que seja da maneira mais rápida e direta possível. Junto dessas, ao longo dos poucos dias de narração da história, outras mudanças vão acontecendo e, a cada mudança, uma nova característica da autocracia é elicitada pelo professor.

Antes da implantação do projeto A Onda
Depois da implantação do projeto “A Onda”

Contudo, a transformação mais importante vem dos alunos, que, cada vez mais, aderiam às ideias com mais fervor. Neles engendravam-se enormes mudanças no comportamento. Bullies  passam a defender os alunos “mais fracos”, por ambos participarem do mesmo grupo (denominado “A Onda”), alunos que em geral tinham dificuldades em impôr liderança passam a liderar com facilidade e certa “mão de ferro”, por fim, o rendimento escolar melhorava em geral. Entretanto, nem todas as mudanças eram para o bem. Logo na apresentação da proposta do formato da aula, alguns alunos deixaram a classe, e com a adoção de medidas mais “inclusivas”, como a adoção de um uniforme, com objetivo de torná-los mais facilmente identificáveis e de liquidar quaisquer diferenças que pudessem representar quebras de da unidade, mais alunos deixaram a aula. A ideia era simples, quem quisesse se sujeitar ao experimento, ficava; quem não quisesse, teria de procurar outra disciplina (não soa familiar, brasileiros?). Naturalmente, assim como em todo regime totalitário, surgem opositores ao sistema. Alguns alunos passam a ser contra o projeto e a pedir a antecipação do fim do projeto, visto que diversas pessoas estavam aderindo e que, para quem via de fora, uma espécie de desastre ia se armando, pois o a Onda crescia vertiginosamente e parecia já estar completamente fora de qualquer controle. As atuações são em geral muito competentes, apesar de nada inovadoras, porém, Frederick Lau, que deu vida a Tim, se destaca, pois seu personagem, no crescendo do roteiro, torna-se extremamente exigente.

Como dito no primeiro parágrafo, o roteiro foi adaptado a partir de um romance escrito pelo americano Todd Strasser que, por sua vez, foi baseado no experimento implantado pelo professor Ron Jones feito nos idos anos 60 durante um estudo sobre a Alemanha Nazista. O que impulsionou o empreendimento do projeto foi o descrédito dos alunos diante da possibilidade de uma sociedade democrática aderir ao Fascismo de bom grado. Ao fim do projeto, o professor provou que todos os alunos foram facilmente manipulados a crer que os ideais pragmaticamente eficazes de disciplina, unidade e homogeneidade coletiva eram realmente coisas boas, dignas de adesão. A experiência foi adaptada para a TV e acabou virando um musical que teve a participação do próprio Ron Jones e de alguns ex-alunos participantes do projeto. Há também um documentário chamado Lesson Plan (encontrado no youtube infelizmente sem legendas em português).

Concluindo, o que de mais produtivo o filme alemão pode nos trazer são os “benefícios” e malefícios da supressão completa da ideia de individualidade inerente a cada ser humano. É claro que na turma de Herr Wenger “não existiu o convite para acabar com as ideias individuas”, mas sim, a “boa propaganda da força e do poder que a coletividade traz”.

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Hippie com raiva.